
Que mais se pode desejar senão um Natal cheio de amor, saúde e felicidade? Boas festas!
Desejo a todos os visitantes que 2007 termine da melhor maneira e que 2008 vos traga tudo o que desejam.
São os meus votos sinceros
Cláudia
São os meus votos sinceros
Cláudia
Todos nós temos princípios quer como pessoas quer como profissionais e os educadores não são excepção. Cada educador tem as suas próprias ideologias, os seus próprios métodos, os seus próprios conceitos de Educação de Infância, as suas regras...
Considero, portanto, essencial falar um pouco do que significa para mim a Educação de Infância, assim como de alguns princípios que um educador deve, em geral (e na minha opinião) ter em conta.
“...A educação pré-escolar é a primeira etapa da educação básica ao longo da vida, sendo complementar da acção educativa da família, com a qual deve estabelecer estreita relação, favorecendo a formação e o desenvolvimento equilibrado da criança, tendo em vista a sua plena inserção na sociedade como ser autónomo, livre e solidário...”.[1] Penso que esta afirmação resume muito bem qual deverá ser o papel do educador junto das crianças: a Educação de Infância é a primeira das várias etapas de educação ao longo da vida e, por isso, uma das mais importantes e decisivas para um sucesso a todos os níveis.
Surge como uma continuidade da acção educativa da família e por esta razão, deveremos manter com as famílias uma relação de proximidade, onde se verifique troca de opiniões e de conhecimentos, visando atingir um mesmo objectivo – o bem-estar da criança e o seu desenvolvimento pleno e saudável.
A criança é um ser com direitos que muitas vezes são esquecidos e cabe a nós, educadores, lutar por esses direitos, criar-lhes condições de bem-estar e aprendizagem, num clima baseado no afecto, na segurança… É nosso papel como educadores contribuir para uma maior igualdade de oportunidades, visando uma educação para todas e para cada uma das crianças, num clima de respeito pelos outros, de cooperação e interajuda entre todas. É igualmente importante que a criança se sinta respeitada, a nível das suas ideias, pensamentos, sentimentos, pontos de vista e como ser humano único, autêntico e especial à sua maneira.
É dever do educador lutar, para que a voz da criança seja cada vez mais ouvida e a sua dignidade cada vez mais respeitada. É importante encarar a criança como um ser activo no seu processo de desenvolvimento, aprendizagem e de interacção com o meio envolvente. Deveremos, portanto, partir das suas ideias, saberes e culturas e valorizar as suas características, dando assim origem a um diversificado leque de experiências e saberes partilhados, saudável para o desenvolvimento e crescimento de todos. É, no entanto, essencial contribuir para que a criança se sinta como membro pertencente a um grupo, onde sinta a necessidade de ser respeitada e de respeitar o outro, onde deseje ser ouvida e por isso deva ouvir os outros, onde deseje compreensão e por isso deva procurar compreender os outros. Penso que este tipo de atitude ajuda a criança a crescer num ambiente de solidariedade, de respeito, de liberdade de expressão, de compreensão e interajuda, desejado por todos.
Um bom educador deverá valorizar o brincar da criança. “Através de uma brincadeira, podemos compreender como ela vê e constrói o mundo, o que gostaria de ter e quais as suas preocupações. Pela brincadeira, a criança expressa o que teria dificuldade de colocar
Apesar do jogo ser uma actividade espontânea nas crianças, isso não significa que o educador não tenha uma atitude activa. “A perspectiva teórica do sócio-interaccionismo destaca o papel do adulto frente ao desenvolvimento infantil, cabendo-lhe proporcionar experiências diversificadas e enriquecedoras, a fim de que as crianças, possam fortalecer sua auto-estima e desenvolver suas capacidades”.[3] O educador pode (e deve) proporcionar oportunidades de aprendizagem às crianças, através do aprofundar das suas brincadeiras. A participação do educador no jogo da criança, aumenta o seu nível de interesse pela actividade, pelo enriquecimento que aquele proporciona. O educador que interage, desperta a atenção e a compreensão, enriquecendo o brincar. Mas é imprescindível que se observe como é que a criança brinca, respeitando a sua iniciativa, as suas preferências, o seu ritmo de acção para que possamos intervir da melhor maneira.
Um educador deverá ser capaz de atender aos interesses e necessidades das crianças, proporcionando-lhes experiências enriquecedoras e significativas, organizando um ambiente de afecto e ao mesmo tempo desafiador, que propicie a exploração da curiosidade infantil, incentivando o desenvolvimento do sentido crítico e da progressiva autonomia da criança.
É muito importante que valorizemos as crianças pelo que são, pensam, sentem e fazem. Se se sentirem valorizadas, sentirem que as suas ideias, comportamentos, atitudes e capacidades têm valor, então aprenderão a ter confiança em si mesmas, a ter segurança naquilo que fazem, a sentir a sua auto-estima estimulada. Caso contrário, uma auto-estima baixa, um ambiente em que a criança não sinta as suas aptidões e ideias valorizadas, constituirão um obstáculo para o seu envolvimento, o seu sucesso no futuro e também para a sua felicidade pessoal e profissional. Quando permitimos à criança ser dona dos seus sentimentos, causamos um grande impacto sobre a sua auto-estima. Desta forma, a criança é capaz de se sentir capaz, útil e participante no seu processo de aprendizagem e só assim se pode sentir plenamente realizada.
Para contribuir para um ambiente educativo que promova o desenvolvimento global, saudável e harmonioso da criança, é essencial observar, planear, avaliar, comunicar e reflectir sobre o processo educativo.
Observar permite-nos conhecer todas e cada uma das crianças, as suas necessidades, os seus interesses e as suas dificuldades. Em Educação de Infância, considera-se observação, a base do planeamento e avaliação do nosso próprio desempenho, para darmos resposta às necessidades de uma criança. A resolução dos problemas, uma boa prática profissional e até mesmo as maiores aprendizagens das crianças passam primeiro por uma boa observação por parte do educador. É essencial que se observe para se entender aquilo que interessa às crianças, para perceber o contexto e para perceber a origem dos problemas que influenciam as aprendizagens. Compete, então, ao Educador de Infância, com vista à construção das aprendizagens, observar cada criança e o grupo, organizar, planificar, concretizar, avaliar/comunicar e promover a continuidade educativa.
“Planear o processo educativo de acordo com o que o educador sabe do grupo e de cada criança, do seu contexto familiar e social é condição para que a educação pré-escolar proporcione um ambiente estimulante de desenvolvimento e promova aprendizagens significativas e diversificadas que contribuam para uma maior igualdade de oportunidades”.[4] Desta forma, o planeamento de todo o conjunto de actividades seleccionadas, deve ter como ponto de partida a criança, uma vez que o conhecimento desta e da sua evolução “constitui o fundamento da diferenciação pedagógica que parte do que esta sabe e é capaz de fazer para alargar os seus interesses e desenvolver as suas potencialidades”.[5] Tudo isto apresenta uma grande importância para o sucesso da educação pré-escolar, na medida em que “partir do que as crianças sabem, da sua cultura e saberes próprios”[6] e “respeitar e valorizar as características individuais da criança, a sua diferença, constitui a base de novas aprendizagens”.[7]
O educador deve ter em conta que a “oportunidade de usufruir de experiências educativas diversificadas, num contexto facilitador de interacções sociais alargadas com outras crianças e adultos, permite que cada criança, ao construir o seu desenvolvimento e aprendizagem, vá contribuindo para o desenvolvimento e aprendizagem dos outros”.[8]
Avaliar permite adequar a acção às necessidades e interesses da criança e do grupo. De acordo com as Orientações Curriculares para a Educação Pré-escolar, “a avaliação realizada com as crianças é uma actividade educativa, constituindo também uma base de avaliação para o educador. A sua reflexão, a partir dos efeitos que vai observando, possibilita-lhe estabelecer a progressão das aprendizagens a desenvolver com cada criança. Neste sentido, a avaliação é suporte do planeamento.”[9] A criança terá, então, um papel importante na construção do processo educativo.
Comunicar e trocar opiniões com os pais e a comunidade contribuirá, sem dúvida, para um melhor conhecimento da criança. Fazer a ponte entre o Jardim e o contexto familiar possibilita à criança uma troca de experiências única.
Reflectir permite que tomemos consciência das nossas acções, podendo melhorá-las numa próxima oportunidade, se necessário, numa constante readaptação da acção.
A educação da criança, tendo em vista a sua plena inserção na sociedade como ser autónomo, livre e solidário, passa também pelo desenvolvimento de várias áreas de conteúdo muito importantes para o seu desenvolvimento global: a Área de Desenvolvimento Pessoal e Social, a Área de Expressão e Comunicação e a Área do Conhecimento do Mundo. Da Área de Expressão e Comunicação fazem parte o domínio das expressões, que engloba a expressão dramática, a motora, as expressões plástica e musical, o domínio da linguagem e da escrita e o domínio da matemática. A Área do Conhecimento do Mundo permite fazer a articulação entre as duas outras áreas de conteúdo, sendo que é “através das relações com os outros que se vai construindo a identidade pessoal e se vai tomando posição perante o “mundo” social e físico”[10]. Neste ponto, assume também muita importância, não apenas a interacção com a família, como também a colaboração com a comunidade onde a criança está inserida.
[1] Ministério da Educação. (1997). Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar. Departamento da Educação Básica. Núcleo de Educação Pré-Escolar. Lisboa. p. 15
[2] BETTELHEIM, Bruno (1984). Uma vida para seu filho. São Paulo: Artmed, p. 105
[3] CRAIDY, Carmem Maria; KAERCHER, Gládis Elise P. da Silva (orgs) (2001). Educação Infantil: p’ra que te quero? Porto Alegre: Artmed, p.27
[4] Ministério da Educação. (1997). Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar. Departamento da Educação Básica. Núcleo de Educação Pré-Escolar. Lisboa. p. 26
[5] Idem, p.25
[6] Ibidem.
[7] Ibidem.
[8] Ibidem, p. 19
[9] Ibidem p. 27
[10] Ministério da Educação. (1997). Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar. Departamento da Educação Básica. Núcleo de Educação Pré-Escolar. Lisboa. p. 21
AAA
Mais bolos não há
Vamos todos procurar
Com vontade de os encontrar
AAAAA
Quem tem muitos já.
Eu sou um bolo colorido
Com muitos frutos saborosos
E um brinde podem encontrar
Aqueles que forem mais gulosos
R: Bolo Rei
Ana Onofre, 11 anos, Cartaxo (Adaptado por Vaz Nunes - Ovar)
http://web.educom.pt/escolovar/natal01.htm
A MARIA CASTANHA
O céu estava cinzento e quase nunca aparecia o sol, mas enquanto não chovia os meninos iam brincar para o jardim.
Um jardim muito grande e bonito, com uma grade pintada de verde toda em volta, de modo que não havia perigo de os automóveis entrarem e atropelarem os meninos que corriam e brincavam à vontade, de muitas maneiras: uns andavam nos baloiços e nos escorregas, outros deitavam pão aos patos do lago, outros metiam os pés por entre as folhas secas e faziam-nas estalar – crac, crac - debaixo das botas, outros corriam de braços abertos atrás dos pombos, que se levantavam e fugiam, também de asas abertas.
Era bom ir ao jardim. E mesmo sem haver sol, os meninos sentiam os pés quentinhos e ficavam com as bochechas encarnadas de tanto correr e saltar.
Uma vez apareceu no jardim uma menina diferente: não tinha bochechas encarnadas, mas uma carinha redonda, castanha, com dois grandes olhos escuros e brilhantes.
- Como te chamas? – Perguntaram-lhe.
- Maria. Às vezes chamam-me Maria Castanha.
- Que engraçado, Maria Castanha! Queres brincar?
- Quero.
Foram brincar ao jogo da apanhada.
A Maria Castanha corria mais do que todos.
- Quem me apanha? Ninguém me apanha!
- Ninguém apanha a Maria Castanha!
Ela corria tanto. Corria tanto que nem viu o carrinho do vendedor de castanhas que estava à porta do jardim, e foi de encontro a ele.
Pimba!
O saco das castanhas caiu e espalhou-as todas à reboleta pelo chão.
A Maria Castanha caiu também e ficou sentada no meio das castanhas.
- Ah. Minha atrevida! – gritou o vendedor de castanhas todo zangado.
- Foi sem querer – explicaram os outros meninos.
- Eu ajudo a apanhar tudo – disse Maria Castanha, de joelhos a apanhar as castanhas caídas.
E os outros ajudaram também.
Pronto. Ficaram as castanhas apanhadas num instante.
- Onde estão os teus pais? – perguntou o vendedor de castanhas à Maria Castanha.
- Foram à procura de emprego.
- E tu?
- Vinha à procura de amigos.
- Já encontraste: nós somos teus amigos – disseram os meninos.
- Eu também sou – disse o vendedor de castanhas.
E pôs as mãos nos cabelos da Maria Castanha, que eram frisados e fofinhos como a lã dos carneirinhos novos.
Depois, disse:
- Quando os amigos se encontram é costume fazer uma festa. Vamos fazer uma festa de castanhas. Gostam de castanhas?
- Gostamos! Gostamos! – gritaram os meninos.
- Não sei. Nunca comi castanhas, na minha terra não há – disse Maria Castanha.
- Pois vais saber como é bom.
E o vendedor deitou castanhas e sal dentro do assador e pô-lo em cima do lume.
Dali a pouco as castanhas estalavam… Tau! Tau!
- Ai, são tiros? – assustou-se a Maria Castanha, porque vinha de uma terra onde havia guerra.
- Não tenhas medo. São castanhas a estalar com o calor.
Do assador subiu um fumozinho azul-claro a cheirar bem.
E azuis eram agora as castanhas assadas e muito quentes que o vendedor deu à Maria Castanha e aos seus amigos.
- É bom é – ria-se Maria Castanha a trincar as castanhas assadas.
- Se me queres ajudar podes comer castanhas todos os dias. Sabes fazer cartuchos de papel?
A Maria Castanha não sabia mas aprendeu.
É ela quem enrola o papel de jornal para fazer os cartuchinhos onde o vendedor mete as castanhas que vende aos fregueses à porta do jardim.
“O saber que importa nesta perspectiva das competências é o que poderá ser útil ao seu possuidor na resolução de problemas, na relação com os outros, na sua relação com o conhecimento, na sua acção diária. Um saber a que o seu possuidor é capaz de atribuir sentido, tornando-o utilizável”.
(Ofélia Libório in Encontro Internacional Qualidade em Educação de Infância: currículo e aprendizagens (2006)
(Roldão, 2003, p. 16)
Para muitos educadores, a noção de competência confunde-se com a noção de objectivos a alcançar. Desta forma, é importante perceber a noção e a relação que existe entre esses dois conceitos.
Roldão (2003, pp. 20-21) define objectivo como “aquilo que se pretende que um aluno aprenda, numa dada situação de ensino e aprendizagem, e face a um determinado conteúdo ou conhecimento”, e define competência como o “saber que se traduz na capacidade efectiva de utilização e manejo – intelectual, verbal ou prático – e não a conteúdos acumulados com os quais não sabemos nem agir no concreto, nem fazer qualquer operação mental ou resolver qualquer situação, nem pensar com eles”.
Quando estamos perante a formulação de objectivos de aprendizagem, devemos ter em conta a sua finalidade, ou seja, devemos ter em conta qual a competência que pretendemos alcançar a partir do objectivo que construímos.
É a partir das aprendizagens que a criança tem consolidadas que ela vai alcançar as competências que se pretendem pois “a competência implica a capacidade de ajustar os saberes a cada situação e por isso eles devem estar consolidados, integrados e portadores de mobilidade”. (Roldão, 2003, p. 24).
Desta feita, e segundo outros autores, tal como Perrenoud (s.d), a competência está relacionada com o processo de mobilizar ou activar recursos – conhecimentos, capacidades, estratégias – em diversas situações. As competências pressupõem conhecimentos, mas não se confundem com a aquisição de conhecimentos sem que hajam aprendizagens e experiências quanto à sua utilização.
Dolz e Ollagnier (2004), definem competência como a capacidade de criar um comportamento num determinado domínio. Com a noção de competências, definem-se os saberes experienciais necessários, que permitem que as crianças resolvam problemas que vão surgindo.
Para desenvolver competências, é necessário colocar a criança em situações complexas, que exigem e treinam a mobilização dos seus conhecimentos: um problema para resolver, uma escolha para fazer…Assim sendo, a noção de competências remete para situações, nas quais é necessário tomar decisões e resolver problemas.
Desta forma, e como refere Roldão (2003), existe competência/s quando, perante um determinado problema, se é capaz de mobilizar adequadamente diversos conhecimentos que se possui, seleccioná-los e integrá-los, de forma adequada, face àquele problema, isto é, a pedagogia pelas competências define as acções que o aluno, e neste caso as crianças, deve ser capaz de realizar após a sua aprendizagem.
Quando nos debruçamos sobre o documento Currículo Nacional do Ensino Básico – Competências Essenciais (p.9), podemos verificar que a noção de competências é ampla uma vez que “integra conhecimentos, capacidades e atitudes e que pode ser entendida como saber em acção ou
Desta feita, depois de analisarmos a noção de objectivos e de competências, podemos concluir que (e segundo Roldão (2003, p. 22) “a competência é o objectivo último dos vários objectivos que para ela contribuem”, ou seja, a competência é o objectivo que pretendemos alcançar a partir de todos os outros objectivos de aprendizagem.
Bibliografia:
DOLZ, Joaquim; OLLAGNIER Edmée; et al (2004). O Enigma da Competência em Educação, Porto Alegre, Editora Artmed
LIBÓRIO, Ofélia (2006). Encontro Internacional Qualidade em Educação de Infância: currículo e aprendizagens. Disponível em: www.fbb.pt/qei/images/stories/qei_-_o_ponto_de_vista_das_criancas.pdf
PERRENOUD, Philippe (s.d) Porquê Construir competências a partir da escola? Desenvolvimento da autonomia e luta contra as desigualdades. Cadernos do CRIAP, Porto: ASA editores, nº 28.
ROLDÃO, Maria do Céu (2003). Gestão do Currículo e avaliação de Competências: As questões dos professores. Editorial Presença, Lisboa.
Sabemos que é de grande importância ter em conta a qualidade dos contextos educativos onde desenvolvemos as nossas práticas, uma vez que tal contribui para o bem-estar pleno das crianças, assim como os níveis de implicação. Desta forma, é importante percebermos o conceito de qualidade.
Segundo alguns autores (Dahlberg, Moss e Pence, 1999), para a maioria das pessoas, falar de qualidade é falar de uma espécie de desafio, de um objectivo a alcançar, muito mais do que de um problema.
Não existe apenas uma definição de qualidade, mas seja qual for a opinião que temos acerca de qualidade, não poderemos negar, segundo os mesmos autores, que ela exerce um papel dominante na nossa prática, linguagem e pensamento.
Um grande número de autores que trabalha acerca do conceito qualidade, descrevem-no como sendo algo “subjectivo, baseado em valores, relativo e dinâmico, sobre o qual é possível ter múltiplas perspectivas ou interpretações.” (Dahlberg, Moss e Pence, 1999, p.19 (traduzido por mim). Esses mesmos autores defendem que o trabalho que é realizado em torno da qualidade deve ser contextualizado, tanto a nivel de espaço como a nível de tempo. Além do mais, deve-se também ter em conta a diversidade, nomeadamente a cultural.
Desta forma, quando falamos de qualidade, deveremos ter em conta que o conceito varia dependendo da perspectiva que cada um tem do termo (que está subjacente aos valores de uma sociedade), e que varia consoante o contexto, uma vez que os contextos de infância também variam.
Ao longo das investigações que foram feitas ao longo dos anos, desenvolveram-se diversos recursos, que foram sendo utilizados pelos investigadores como um meio de avaliação da qualidade dos contextos.
Desta feita, como método de análise da qualidade em contextos de infância, surge-nos a ECERS (Early Childhood Environment Rating Scale), que, tal como é descrita pelos seus autores (Harms e Clifford, in Dahlberg, Moss e Pence, 1999; p.159 (traduzido por mim), “é um meio relativamente breve e eficiente para se ter uma noção da qualidade dos contextos educativos” (Harms e Clifford, 198, p.iv)”.
A ECERS é uma escala de observação, constituída por 43 itens que se encontram divididos em sete sub-escalas, e que através das pontuações que são obtidas a partir das escalas, pretende oferecer uma perspectiva geral da qualidade em Educação de Infância.
Ao contrário do que se possa pensar, e depois de ter lido alguma bibliografia sobre o assunto, posso dizer que a ECERS não é a lei em investigação da qualidade dos contextos, uma vez que não se refere a um contexto em particular, mas sim a diversos contextos, sendo um instrumento universal. Sendo o conceito de qualidade, tal como foi dito anteriormente, um conceito que deve ter em conta a diversidade dos contextos, a diversidade de culturas, entre outros aspectos, a ECERS não se encontra nesse conceito, uma vez que diz respeito a um conceito de “qualidade universal”, isto é, não tem explícitos os valores de uma determinada sociedade, não tem em conta a diversidade de culturas, a diversidade de espaços.
No entanto, e apesar de todos os pressupostos anteriores relativamente à ECERS, poderemos observar os contextos no que diz respeito à qualidade a partir de alguns aspectos deste documento, que achamos mais relevantes para o contexto em si.
Apesar de nos guiarmos por este documento, há que ter consciência de que a qualidade do ambiente educativo depende, como já foi dito, do contexto e de muitos factores como a nossa própria perspectiva de qualidade num Jardim de Infância.
Desta forma, os itens que se encontram explícitos neste documento poderão servir apenas de base para a nossa análise do contexto, uma vez que a avaliação da qualidade não se baseia, na minha modesta opinião, apenas nesses itens, mas também na forma como as crianças interagem no contexto, a forma como o contexto afecta as crianças (bem-estar e implicação das crianças), uma vez que os métodos como a ECERS pretendem descobrir apenas as “verdades inatas, objectivas, universais e generalizadas” (Dahlberg, Moss e Pence, 1999, p. 162) das instituições, e tratam “as crianças e instituições como “objectos independentes (Henrique e outros, 1984, pp. 101-102)” (idem).
Não deveremos ter, portanto, a intenção de avaliar o contexto como uma escala, mas sim referir os pontos fortes e fracos que achamos relevantes no contexto em que nos encontramos, e também referir aspectos que achamos relevantes para avaliar a qualidade do contexto em que nos encontramos (a forma como o contexto afecta as crianças – Bem-estar e Implicação; a forma como as crianças interagem entre si, o estilo do educador, entre outros), tentando não colocar a instituição e as crianças como “objectos independentes”.
Bibliografia:
GUNILLA Dahlberg; MOSS Peter; PENCE Alan (2005). Más allá de la calidad en la educación infantil. Colección Biblioteca Infantil, Editorial Graó, Barcelona
Hoje deixo um guião para realizar uma peça de teatro com as crianças. É uma forma de abordar o tema dos rios, lagos, do mar com os mais pequeninos.
Para a preparação desta peça, as crianças poderão elaborar as vestes das suas personagens. Procede-se a um pequeno ensaio e pode apresentar-se a peça a todo o Jardim ou à comunidade. Tenho a certeza que irão adorar fazer parte deste cenário de magia. Apenas há um inconveniente. Não sei de onde foi retirado este guião e também não sei quais são as melodias das músicas. Mas, como educadoras/es que somos, podemos recorrer à nossa imaginação e, junto das nossas crianças, criar uma melodia para as canções. Espero que seja do agrado de todos.
"A Água e o Mar"
A água que bebemos vem das nuvens.
- Olá gotinhas de água!
E quando começa a chover rega as plantas, enche o poço de água fresca para beber.
- Olhem, está a chover! As gotinhas de água estão a chegar! Vão cair na ribeira, a ribeira enche o rio e o rio vai para o mar. Vamos conhecer as gotinhas de água. Vamos com elas aprender que todos precisamos de água, mas que nem toda a água, se pode beber.
2 – Música
A água vem das nuvens, é de lá que a água vem.
A água vem das nuvens, já todos sabemos bem.
As gotinhas de água (as gotinhas de água),
São mesmo engraçadas (são mesmo engraçadas),
Caem das nuvens e deixam,
A terra e as flores molhadas.
3 – Diálogo
As gotinhas de água que vieram das nuvens juntaram-se numa pequena ribeira. E eram tantas gotinhas de água, que a ribeirinha ficou cheia! Cheia de água doce, água boa para beber.
- Vamos para o rio! – gritaram as gotinhas de água.
E a ribeirinha começou a correr. Enquanto desciam até ao rio, encontraram muitas amigas gotinhas de água de outras ribeiras e juntaram-se a elas divertidas.
Então, todas juntas, e num grande rodopio, a ribeira ficou maior… e lá foram até ao rio.
Água doce e limpinha,
Agora ficou maior.
Onde vai a ribeirinha
Cheia de gotinhas de água,
Água doce e limpinha?
Vai muito divertida,
Vai num grande rodopio.
Onde vai a ribeirinha?
Ela vai juntar-se ao rio.
Vai muito divertida,
Vai num grande rodopio.
5 – Diálogo
- Venham, juntem-se a mim, ainda temos muito que andar. Vamos levar água às torneiras e aos campos por regar. Venham, juntem-se a mim, vai ser uma grande viagem, até chegarmos ao mar.
6 – Música
Sabem de onde vem, a água boa para beber,
Vem do rio, vem do rio,
vem do rio feliz que vai ali a correr.
E quem rega os campos, (2x)
Só quem souber é que diz.
Já todos sabemos (2x)
É o rio feliz.
7 – Diálogo
Este lago é muito bonito, mas tem água parada e esta água não se pode beber.
8 – Diálogo
Lá vai o rio a saltar! Lá vai o rio a descer! Sobre as pedras e sobre as rochas, sempre atento a ver, sempre a tentar encontrar um caminho que o leve até ao mar.
9 – Diálogo
Finalmente, depois de muito andar, as gotinhas de água pequeninas, que desceram das nuvens e encheram o rio e as ribeirinhas, estavam mesmo a chegar.
Durante o caminho, o rio feliz deu-nos água boa para beber e fez os lagos de água parada, onde muitos bichinhos irão viver. Pulou rochas, saltou pedras, fez arco-íris e cascatas, deixou os campos verdinhos, regou as flores e as matas.
Nunca se deve sujar o rio. Ele só quer é passar e fazer a sua viagem, das nuvens até ao mar.
10 – Sons:
- Som da chuva;
- Som de mexer na água;
- Som do mar.
11 – Diálogo
O mar é diferente dos rios e dos lagos e vivem no mar, muitos animais engraçados.
O mar é muito grande, e tem água salgada e é lá que os peixinhos coloridos têm a sua casa. Sempre contentes, sempre a nadar, entre as cores, do fundo do mar.
Entre as cores do fundo do mar,
glu, glu, glu, glu, glu, glu, glu, glu, glu.
Aqui vamos nós todos passear,
glu, glu, glu, glu, glu, glu, glu, glu, glu.
Vamos aprender a cantar e a brincar,
Lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá.
Quem são os amigos (2x)
Que vivem no mar.
13 – Diálogo
- Olhem quem ali vai?
- Sou eu, o camarão encarnado, estou sempre muito animado. E vou agora visitar, a minha amiga, estrela-do-mar. Olha, lá está ela.
- Eu sou a estrela-do-mar e gosto de ficar quietinha, deitada na areia fofinha a ver os peixinhos passar. Mas quando aparece o camarão é logo uma grande confusão.
- Olha, estão ali mais amigos…
14 – Diálogo
- Olá, eu sou o cavalo-marinho e estou a ensinar o meu filhote, que ainda é pequenino, a cavalgar pelo mar.
- E eu sou um cavalinho marinho, ainda estou a aprender e um dia vou conhecer, todas as ondas do mar. Mas ainda tenho que crescer até ser grande e forte, e poder nadar sozinho, sem a ajuda do meu papá, o amigo cavalo-marinho.
-Mas que grande salto! Nós, os peixinhos coloridos, gostamos muito do golfinho azul e de o ver a brincar. E batemos sempre palmas, quando ela passa a saltar, entre as ondas do mar.
16 – Diálogo
17 – Música
É sempre nosso amigo, tem que ser bem tratado.
Para estes amigos, o mar é uma casa
Com muitas ondas e muita água salgada.
18 – Sons:
- Som do fundo do mar;
- Som das focas;
- Som das gaivotas
Esta receita fi-la algumas vezes com os meninos ao longo do meu estágio. É muito boa e eles adoraram. Experimentem!
Misture bem a farinha com a manteiga. Adicione o açúcar e a casca de limão bem raspada. Depois de adicionados os ingredientes anteriores, junte os ovos bem batidos. Quando tudo estiver misturado, amasse muito bem com as mãos e dê a forma k desejar aos biscoitos, utilizando forminhas ou até mesmo as próprias mãos. Vai ao forno a cerca de 180 graus durante mais ou menos 10 minutos, dependendo do forno. Deixe arrefecer e delicie-se com um chazinho a acompanhar.
Hoje decidi falar um pouco de mim, pois ainda não me apresentei.
Chamo-me Cláudia, tenho 22 anos e sou Educadora de Infância. A minha licenciatura foi feita na Universidade de Aveiro, um local onde fiz grandes amizades que ficarão para toda a vida.
Decidi ser Educadora de Infância porque adoro crianças. Sempre quis sê-lo. Além de adorar crianças, sei que nem todas as crianças têm as mesmas oportunidades de aprendizagem, nem sempre são vistas da melhor forma pelos adultos. O meu maior objectivo é contribuir para uma melhoria da qualidade na Educação de Infância. Tentar transformar a visão das pessoas acerca daquilo que é a Educação de Infância. Pretendo evoluir como educadora, aprender mais e mais de forma a poder proporcionar às crianças as melhores aprendizagens, as melhores vivências, a melhor infância que podem ter.
Neste momento encontro-me desempregada, pelo que aproveito algum do meu tempo para pesquisar acerca desse mundo maravilhoso que é a infância.
Apesar de o mercado de trabalho estar muito complicado, não perco as esperanças de vir a exercer a profissão para a qual sempre quis trabalhar. Tenho uma grande vontade de trabalhar, aprender, partilhar, rir, chorar, brincar, cantar, jogar com as crianças. Neste momento resta-me esperar e não desistir de lutar por um sonho que é o de muitas de nós.
O grande objectivo deste blog é partilhar tudo o que tenho sobre a infância, desde jogos e brincadeiras, receitas de culinária, histórias a textos informativos, canções, ideias de expressão plástica entre outras coisas.
Desta forma, despeço-me por hoje, esperando que as ideias possam ser partilhadas entre todos e que opinem acerca do conteúdo de cada post.
Beijinhos
Cláudia
Jogo "O João Bobo"
Este jogo propõe um "quebra gelo" entre as crianças. Pode ser proposto no primeiro dia em que o grupo se encontra. É óptimo para decorar os nomes de cada um.
Em círculo, sentados ou de pé, as crianças vão uma a uma ao centro da roda (pode também ser no próprio lugar) e dizem o seu nome completo juntamente com um gesto qualquer . Em seguida todos devem dizer o nome da pessoa e repetir o gesto feito por ela.
Variação:Este jogo pode ser feito apenas com o primeiro nome e o gesto da criança, sendo que todas o devem repetir em somatória, ou seja, a primeira diz o seu nome com o seu gesto e a segunda diz o nome da anterior e o gesto dela e o seu nome e o seu gesto... e assim sucessivamente. Geralmente é feito com grupos pequenos, para facilitar a memorização. Mas poderá ser estipulado um número máximo, por exemplo, após a quarta criança, deve começar um outro ciclo de 1-4 crianças.
"TUDO AQUILO QUE EU PRECISO REALMENTE SABER APRENDI NO JARDIM DE INFÂNCIA"
Grande parte daquilo que eu realmente preciso saber, sobre a vida, o que fazer, como ser, eu aprendi no Jardim de Infância…Não foi na Universidade(...) que eu encontrei a verdadeira sabedoria, mas sim no recreio do Jardim de Infância. Foi exactamente isto que aprendi:partilhar tudo, brincar dentro das regras, colocar as coisas no lugar onde as encontrei, limpar o que sujei, não pegar naquilo que não era meu, pedir desculpas quando magoava alguém, lavar as mãos antes de comer… Descobri também, que café com leite é delicioso, que uma vida equilibrada é saudável, que pensar um pouco, desenhar, pintar, dançar, planear e trabalhar um pouco todos os dias, nos faz muito bem… Fazer uma sesta todas as tardes, ter muito cuidado com o trânsito, segurar as mãos de alguém e ficar juntos, são boas formas de enfrentar o mundo… Ter em atenção a todas as maravilhas do mundo e relembrar a pequena semente que um dia plantámos num copo de plástico: as raízes iam para baixo e as folhas iam para cima, mas ninguém realmente sabia o porquê… Mas nós somos assim! … Peixinhos dourados, hamsters e ratinhos brancos; e até mesmo a pequena semente do copo de plástico, tudo morre um dia… E nós também. Tudo o que tu realmente precisas saber, está aí: faz aos outros aquilo que gostarias que eles te fizessem a ti… Amor, higiene básica, ecologia, contribuem para uma vida mais saudável. Acho que tudo seria melhor, se todos nós, o mundo inteiro, tomássemos café com leite todas as tardes e descansássemos um pouquinho, agarrados a uma almofada. Ou se tivéssemos uma política no nosso país e em todas as coisas também, para colocarmos sempre as coisas, no lugar onde as encontrámos… E ainda, é verdade que, seja qual for a idade, o melhor é darmos as mãos e ficarmos unidos! …