Mas hoje deixo um link que encontrei com a história na versão de Luísa Ducla Soares e que contém imagens a acompanhar. É espectacular.
Deliciem-se!


Reza a história, bem velhinha, que havia uma Carochinha, que por ser engraçadinha, teimou que haveria de casar.
Certo dia, quando estava a varrer a cozinha, encontrou uma moeda de cinco réis e correu para ir dizer à vizinha que já não tinha de esperar.
Vaidosa como era, escolheu o seu melhor vestido e foi pôr-se à janela para ver se arranjava marido.
Pensou como deveria começar e decidiu cantar:
- Quem quer casar com a Carochinha, que é formosa e bonitinha?
- Muu…, Muu…Quero eu, quero eu! – Mugiu o Boi mostrando-se muito interessado – Se casares comigo, vais andar o dia inteiro no prado…
- Que voz é essa? Com essa voz, acordavas-me a mim e aos meninos de noite! Contigo é que não quero casar! E, além disso, tenho pressa…
Como era o primeiro pretendente, não ficou desanimada e continuou a perguntar, desta vez com uma voz mais alegre e um aperto no coração.
- Quem quer casar com a Carochinha que é formosa e bonitinha?
Mal tinha acabado de dizer a última palavra, apareceu o Cão que ladrava e gania de animação.
- Ão, ão! Quero eu, quero eu! Se casares comigo, tens uma casota toda janota e comida saborosa que me dá a D. Rosa.
- Ai pobre de mim! Que alarido! – Queixou-se dando um suspiro – Com essa voz, acordavas-me a mim e aos meninos de noite! Não, não me serves para marido.
Ficou a ver o Cão a afastar-se com as orelhas baixas e o rabo entre as pernas, e voltou a tentar a sua sorte.
- Quem quer casar com a Carochinha que é formosa e bonitinha?
Muito gorducho e envergonhado, aproximou-se o Porco com um rabo que mais parecia um saca-rolhas e o focinho molhado.
- Oinc! Oinc! Quero eu, quero eu! Sou muito comilão, mas também dizem que sou bonacheirão.
- És muito simpático e pareces ser divertido. Mas com essa voz, acordavas-me a mim e aos meninos de noite! Também não me caso contigo.
Depois, encheu o peito de ar, sorriu e voltou a perguntar:
- Quem quer casar com a Carochinha que é formosa e bonitinha?
Com peito inchado, penas coloridas e luzidias, candidatou-se o Galo que resolveu cantar para impressionar.
- Cocorocó! Cocorococó! Quero eu, quero eu! Se casares comigo, vais madrugar.
- Galo garnisé, com tanto banzé acordavas-me a mim e aos meninos de noite! E, sem dormir, íamos passar o tempo a refilar.
A nossa amiga queria mesmo casar, por isso tinha de continuar.
- Quem quer casar com a Carochinha que é formosa e bonitinha?
Com um miar meigo e a cauda bem levantada, aproximou-se o Gato janota a ronronar.
- Miau, renhaunhau. Quero eu, quero eu! Se gostas de leite, peixe fresquinho e de apanhar banhos de sol nos telhados, então podemos casar. - Banhos de sol talvez… Mas leite? Peixe fresquinho? E, com essa voz, acordavas-me a mim e aos meninos de noite! Não, não é contigo que vou subir ao altar.
Seria possível? Seria assim tão difícil encontrar alguém que não fosse barulhento? Mas foi então que reparou em alguém que se aproximava a passo lento.
- Oin, in, oin. Quero eu, quero eu! – zurrou o Burro – Olha, se casares comigo, não vais dormir ao relento.
- Mas com essa voz, acordavas-me a mim e aos meninos de noite! A minha vida ia ser um verdadeiro tormento!
Como já era tarde, a Carochinha pensou que seria melhor ir tratar do jantar, mas foi então que ouviu chiar…
- Hi, hi! E a mim, não vais perguntar se quero casar?
Com um sorriso de felicidade por encontrar alguém tão simpático e com uma voz tão fininha, a Carochinha correu para o pátio.
- Como te chamas?
- Sou o João Ratão. Queres casar comigo ou não?
A Carochinha convidou-o a entrar, pois tinham muito que conversar e uma data de casamento para marcar. Enviaram os convites, compraram a roupa e prepararam a boda a rigor com o senhor prior.
Domingo era o grande dia! A noiva foi a última a entrar na igreja e estava linda, de causar inveja. O João Ratão estava orgulhoso mas também muito nervoso. Trocaram juras de amor eterno e, no fim, choveu porque era Inverno. Foi então que o João Ratão se lembrou da viagem ao Japão. Correu para casa, porque se tinha esquecido das luvas, mas sentiu um cheirinho gostoso e, acabou por ir espreitar o caldeirão.
Pouco depois, a Carochinha achou melhor ir procurar o marido que estava a demorar.
- João Ratão, encontraste as luvas? – Chamou ela ao entrar.
Procurou, procurou e quando chegou perto do caldeirão, quase desmaiou e gritou:
- Ai o meu marido, o meu rico João Ratão, cozido e assado no caldeirão!
E assim acaba a história da linda Carochinha, que ficou sem o João Ratão, pois era guloso e caiu no caldeirão.
Contos tradicionais portugueses
Ana Onofre, 11 anos, Cartaxo (Adaptado por Vaz Nunes - Ovar)
http://web.educom.pt/escolovar/natal01.htm
A MARIA CASTANHA
O céu estava cinzento e quase nunca aparecia o sol, mas enquanto não chovia os meninos iam brincar para o jardim.
Um jardim muito grande e bonito, com uma grade pintada de verde toda em volta, de modo que não havia perigo de os automóveis entrarem e atropelarem os meninos que corriam e brincavam à vontade, de muitas maneiras: uns andavam nos baloiços e nos escorregas, outros deitavam pão aos patos do lago, outros metiam os pés por entre as folhas secas e faziam-nas estalar – crac, crac - debaixo das botas, outros corriam de braços abertos atrás dos pombos, que se levantavam e fugiam, também de asas abertas.
Era bom ir ao jardim. E mesmo sem haver sol, os meninos sentiam os pés quentinhos e ficavam com as bochechas encarnadas de tanto correr e saltar.
Uma vez apareceu no jardim uma menina diferente: não tinha bochechas encarnadas, mas uma carinha redonda, castanha, com dois grandes olhos escuros e brilhantes.
- Como te chamas? – Perguntaram-lhe.
- Maria. Às vezes chamam-me Maria Castanha.
- Que engraçado, Maria Castanha! Queres brincar?
- Quero.
Foram brincar ao jogo da apanhada.
A Maria Castanha corria mais do que todos.
- Quem me apanha? Ninguém me apanha!
- Ninguém apanha a Maria Castanha!
Ela corria tanto. Corria tanto que nem viu o carrinho do vendedor de castanhas que estava à porta do jardim, e foi de encontro a ele.
Pimba!
O saco das castanhas caiu e espalhou-as todas à reboleta pelo chão.
A Maria Castanha caiu também e ficou sentada no meio das castanhas.
- Ah. Minha atrevida! – gritou o vendedor de castanhas todo zangado.
- Foi sem querer – explicaram os outros meninos.
- Eu ajudo a apanhar tudo – disse Maria Castanha, de joelhos a apanhar as castanhas caídas.
E os outros ajudaram também.
Pronto. Ficaram as castanhas apanhadas num instante.
- Onde estão os teus pais? – perguntou o vendedor de castanhas à Maria Castanha.
- Foram à procura de emprego.
- E tu?
- Vinha à procura de amigos.
- Já encontraste: nós somos teus amigos – disseram os meninos.
- Eu também sou – disse o vendedor de castanhas.
E pôs as mãos nos cabelos da Maria Castanha, que eram frisados e fofinhos como a lã dos carneirinhos novos.
Depois, disse:
- Quando os amigos se encontram é costume fazer uma festa. Vamos fazer uma festa de castanhas. Gostam de castanhas?
- Gostamos! Gostamos! – gritaram os meninos.
- Não sei. Nunca comi castanhas, na minha terra não há – disse Maria Castanha.
- Pois vais saber como é bom.
E o vendedor deitou castanhas e sal dentro do assador e pô-lo em cima do lume.
Dali a pouco as castanhas estalavam… Tau! Tau!
- Ai, são tiros? – assustou-se a Maria Castanha, porque vinha de uma terra onde havia guerra.
- Não tenhas medo. São castanhas a estalar com o calor.
Do assador subiu um fumozinho azul-claro a cheirar bem.
E azuis eram agora as castanhas assadas e muito quentes que o vendedor deu à Maria Castanha e aos seus amigos.
- É bom é – ria-se Maria Castanha a trincar as castanhas assadas.
- Se me queres ajudar podes comer castanhas todos os dias. Sabes fazer cartuchos de papel?
A Maria Castanha não sabia mas aprendeu.
É ela quem enrola o papel de jornal para fazer os cartuchinhos onde o vendedor mete as castanhas que vende aos fregueses à porta do jardim.
Hoje deixo um guião para realizar uma peça de teatro com as crianças. É uma forma de abordar o tema dos rios, lagos, do mar com os mais pequeninos.
Para a preparação desta peça, as crianças poderão elaborar as vestes das suas personagens. Procede-se a um pequeno ensaio e pode apresentar-se a peça a todo o Jardim ou à comunidade. Tenho a certeza que irão adorar fazer parte deste cenário de magia. Apenas há um inconveniente. Não sei de onde foi retirado este guião e também não sei quais são as melodias das músicas. Mas, como educadoras/es que somos, podemos recorrer à nossa imaginação e, junto das nossas crianças, criar uma melodia para as canções. Espero que seja do agrado de todos.
"A Água e o Mar"
A água que bebemos vem das nuvens.
- Olá gotinhas de água!
E quando começa a chover rega as plantas, enche o poço de água fresca para beber.
- Olhem, está a chover! As gotinhas de água estão a chegar! Vão cair na ribeira, a ribeira enche o rio e o rio vai para o mar. Vamos conhecer as gotinhas de água. Vamos com elas aprender que todos precisamos de água, mas que nem toda a água, se pode beber.
2 – Música
A água vem das nuvens, é de lá que a água vem.
A água vem das nuvens, já todos sabemos bem.
As gotinhas de água (as gotinhas de água),
São mesmo engraçadas (são mesmo engraçadas),
Caem das nuvens e deixam,
A terra e as flores molhadas.
3 – Diálogo
As gotinhas de água que vieram das nuvens juntaram-se numa pequena ribeira. E eram tantas gotinhas de água, que a ribeirinha ficou cheia! Cheia de água doce, água boa para beber.
- Vamos para o rio! – gritaram as gotinhas de água.
E a ribeirinha começou a correr. Enquanto desciam até ao rio, encontraram muitas amigas gotinhas de água de outras ribeiras e juntaram-se a elas divertidas.
Então, todas juntas, e num grande rodopio, a ribeira ficou maior… e lá foram até ao rio.
Água doce e limpinha,
Agora ficou maior.
Onde vai a ribeirinha
Cheia de gotinhas de água,
Água doce e limpinha?
Vai muito divertida,
Vai num grande rodopio.
Onde vai a ribeirinha?
Ela vai juntar-se ao rio.
Vai muito divertida,
Vai num grande rodopio.
5 – Diálogo
- Venham, juntem-se a mim, ainda temos muito que andar. Vamos levar água às torneiras e aos campos por regar. Venham, juntem-se a mim, vai ser uma grande viagem, até chegarmos ao mar.
6 – Música
Sabem de onde vem, a água boa para beber,
Vem do rio, vem do rio,
vem do rio feliz que vai ali a correr.
E quem rega os campos, (2x)
Só quem souber é que diz.
Já todos sabemos (2x)
É o rio feliz.
7 – Diálogo
Este lago é muito bonito, mas tem água parada e esta água não se pode beber.
8 – Diálogo
Lá vai o rio a saltar! Lá vai o rio a descer! Sobre as pedras e sobre as rochas, sempre atento a ver, sempre a tentar encontrar um caminho que o leve até ao mar.
9 – Diálogo
Finalmente, depois de muito andar, as gotinhas de água pequeninas, que desceram das nuvens e encheram o rio e as ribeirinhas, estavam mesmo a chegar.
Durante o caminho, o rio feliz deu-nos água boa para beber e fez os lagos de água parada, onde muitos bichinhos irão viver. Pulou rochas, saltou pedras, fez arco-íris e cascatas, deixou os campos verdinhos, regou as flores e as matas.
Nunca se deve sujar o rio. Ele só quer é passar e fazer a sua viagem, das nuvens até ao mar.
10 – Sons:
- Som da chuva;
- Som de mexer na água;
- Som do mar.
11 – Diálogo
O mar é diferente dos rios e dos lagos e vivem no mar, muitos animais engraçados.
O mar é muito grande, e tem água salgada e é lá que os peixinhos coloridos têm a sua casa. Sempre contentes, sempre a nadar, entre as cores, do fundo do mar.
Entre as cores do fundo do mar,
glu, glu, glu, glu, glu, glu, glu, glu, glu.
Aqui vamos nós todos passear,
glu, glu, glu, glu, glu, glu, glu, glu, glu.
Vamos aprender a cantar e a brincar,
Lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá.
Quem são os amigos (2x)
Que vivem no mar.
13 – Diálogo
- Olhem quem ali vai?
- Sou eu, o camarão encarnado, estou sempre muito animado. E vou agora visitar, a minha amiga, estrela-do-mar. Olha, lá está ela.
- Eu sou a estrela-do-mar e gosto de ficar quietinha, deitada na areia fofinha a ver os peixinhos passar. Mas quando aparece o camarão é logo uma grande confusão.
- Olha, estão ali mais amigos…
14 – Diálogo
- Olá, eu sou o cavalo-marinho e estou a ensinar o meu filhote, que ainda é pequenino, a cavalgar pelo mar.
- E eu sou um cavalinho marinho, ainda estou a aprender e um dia vou conhecer, todas as ondas do mar. Mas ainda tenho que crescer até ser grande e forte, e poder nadar sozinho, sem a ajuda do meu papá, o amigo cavalo-marinho.
-Mas que grande salto! Nós, os peixinhos coloridos, gostamos muito do golfinho azul e de o ver a brincar. E batemos sempre palmas, quando ela passa a saltar, entre as ondas do mar.
16 – Diálogo
17 – Música
É sempre nosso amigo, tem que ser bem tratado.
Para estes amigos, o mar é uma casa
Com muitas ondas e muita água salgada.
18 – Sons:
- Som do fundo do mar;
- Som das focas;
- Som das gaivotas