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terça-feira, 26 de abril de 2011

Creche - Controlo dos esfíncteres

O controlo dos esfíncteres não é um reflexo fisiológico simples, mas sim um comportamento da criança no seu todo, que depende de um processo de amadurecimento.

Quando se deve começar a habituar a criança ao bacio?
A resposta não pode ser generalizada. O treino só deve ser iniciado quando a criança começa a ser capaz de ter micções abundantes e espaçadas, aparecendo com as fraldas secas durante algumas horas, a intervalos relativamente regulares, e quando começa a perceber que tem vontade de eliminar fezes ou urina manifesta-se com atitudes posturais e faciais características.
A criança não deve ser obrigada a permanecer sentada no bacio, sem entender porquê ou para quê, tendo a sensação que não corresponde às expectativas dos adultos. O treino não deve ser dramatizado, mas integrado na aprendizagem diária da criança, com tanta importância como aprender a vestir-se ou comer sozinha.
O treino deverá ser feito sempre às mesmas horas e apenas durante 5 ou 10 minutos. A criança pode ter um brinquedo ou um livro durante este tempo e não deverá nunca estar sozinha, mas sim acompanhada por outras crianças.
É importante motivar a criança festejando sempre que consegue eliminar urina ou fezes no bacio, não sendo permitida a punição / humilhação quando tal não acontece.
A criança deverá ver o que eliminou e posteriormente deitar na sanita.
Sempre que acontece um acidente a roupa deve ser mudada imediatamente, sem fazer má cara. Trata-se de um processo perfeitamente normal.
À medida que o tempo passa o hábito acaba por instalar-se sem dificuldades, embora seja de esperar que em dias de maior excitabilidade a criança não consiga reter a urina. Há que demonstrar compreensão, evitando exercer pressões excessivas sobre a criança que apenas contribuirão para piorar a situação.
A maioria das crianças consegue controlar a eliminação diurna de fezes e urina entre os 18 e os 36 meses. O controlo da eliminação nocturna é mais tardia, dependendo da maturação das funções orgânicas durante os ciclos de sono e do seu equilíbrio emocional e afectivo.

Na prática:

  • Leve o seu filho para a Creche com roupas práticas, para que ele próprio comece a ser capaz de se despir sozinho.
  • Leve o seu filho com as cuecas vestidas por cima da fralda.
  • Se o seu filho se molhar tem que ter outra muda de roupa completa: Camisola, body, calças, cuecas, meias (e sapatos).
  • Para que o retirar das fraldas decorra o melhor possível, a instituição e os pais devem estar em sintonia. O diálogo com a equipa é essencial neste processo.
  • Trata-se de um processo gradual, logo, será iniciado com um pequeno grupo de crianças. Conforme estas vão sendo capazes de controlar os esfíncteres, outras crianças serão introduzidas.

domingo, 3 de abril de 2011

As Cem linguagens da Criança

Um texto já com bastante tempo e que provavelmente a maioria dos educadores conhece.
Um texto que nos faz reflectir sobre o que é realmente a nossa prática. Estaremos a dar voz à criança para exprimir as suas emoções, os seus desejos de aprender, a exprimir as suas ideias acerca da realidade que a rodeia? Ou estaremos a retirar à criança a oportunidade de explorar as suas brincadeiras, as suas aprendizagens através dos seus interesses e das suas necessidades? Façamos uma avaliação da nossa prática e vejamos se estamos a fazê-la da melhor forma.

A criança tem cem linguagens
Cem mãos cem pensamentos
Cem maneiras de pensar
De brincar e de falar
Cem sempre cem
Maneiras de ouvir
De surpreender de amar
Cem alegrias para cantar e perceber
Cem mundos para descobrir
Cem mundos para inventar
Cem mundos para sonhar.
A criança tem
Cem linguagens
(e mais cem, cem, cem)
Mas roubam-lhe noventa e nove
Separam-lhe a cabeça do corpo
Dizem-lhe:
Para pensar sem mãos, para ouvir sem falar
Para compreender sem alegria
Para amar e para se admirar só no Natal e na Páscoa.
Dizem-lhe:
Para descobrir o mundo que já existe.
E de cem roubam-lhe noventa e nove.
Dizem-lhe:
Que o jogo e o trabalho, a realidade e a fantasia
A ciência e a imaginação
O céu e a terra, a razão e o sonho
São coisas que não estão bem juntas
Ou seja, dizem-lhe que os cem não existem.
E a criança por sua vez repete: os cem existem!


Loris Malaguzzi (1996)

quinta-feira, 24 de março de 2011

Berçário: Parte II

Estas são algumas actividades que o educador pode desenvolver em contexto de Berçário. Concerteza muitos de nós já nos deparámos com esse contexto sem saber que tipo de actividades realizar com os bebés. Como forma de ajudar educadores de berçário e também futuros papás, deixo alguns exemplos de actividades que podem estimular os bebés até por volta do 1º ano. São algumas ideias que foram sendo pesquisadas aqui e ali mas que ainda não tive oportunidade de por em prática na sua maioria. Penso que são actividades que normalmente se fazem inconscientemente com os bebés mas que não pensamos no seu valor pedagógico. Pensando na pedagogia, podemos então enriquecer ainda mais cada actividade, complexificando-a para que a criança se desenvolva cada vez mais.



* Segurar um objeto preso por um fio e fazer movimentos para que a criança tente pegá-lo esticando os bracinhos e acompanhando os seguintes movimentos:

- Acima / Abaixo

- Longe / Perto

- Pendulo / Circular


* Esconder um objecto e mostrar à criança logo de seguida


* Esconder o objecto e apresentá-lo ao bebé com as mãos alternadas, até que ele desenvolva a habilidade de memorizar que o objecto aparece numa mão de cada vez alternadamente e desenvolva a capacidade de antecipar esse acontecimento.


* Induzir a imitação de movimentos simples:

- Colocar a língua para dentro e para fora

- Abrir e fechar a boca

- Fazer bico / vibrar os lábios e as línguas

- Abrir e fechar as mãos / bater palmas


* Esconder o rosto com um pano e esperar que a criança o puxe para nos encontrar


* Esconder um objecto debaixo de um pano e esperar que a criança puxe o pano para encontrá-lo


* Cantar balançando a criança de acordo com o ritmo da música


* Rolar


* Gatinhar / passar por cima, por baixo de obstáculos.


* Colocar a criança de costas, emitir sons por trás dela e esperar que ela se vire em busca da localização da fonte sonora.


* Colocar e retirar objetos dentro de uma caixa


O berçário - Parte I

Quando os bebés nascem, compreendem e captam pouco do mundo que os rodeia uma vez que os seus sentidos não se encontram ainda focalizados.Mas quando o bebé nasce, já possui um conjunto de reflexos que demonstram o seu instinto natural de sobrevivência. Todos estes reflexos desaparecem por volta dos três meses, pois caso contrário, o seu desenvolvimento ficaria comprometido e as novas capacidades não poderiam surgir.
A melhor forma de ajudar e encorajar o desenvolvimento do bebé é através dos sentidos – visão, audição, tacto, olfacto e paladar – porque estes são os meios que utilizará para explorar o mundo antes de se poder movimentar nele sozinho.
Durante os primeiros meses, os bebés pouco mais fazem do que dormir e comer, mas de vez em quando começam a surgir traços da sua personalidade.
Entre os dois e os três meses, o bebé já é capaz de fazer mais coisas e está cada vez mais interessado pelo mundo. A criança bate nos objectos, leva a mão à boca e agarra um brinquedo. Em breve, o bebé percebe que é ele próprio a fazer o barulho com a boca.
Entre os três e os seis meses, o bebé segura no brinquedo e explora-o com as mãos e a boca. Bater e atirar brinquedos parece ser uma resposta universal.
Entre os seis e os nove meses um dos feitos mais importantes dos bebés é conseguir mudar de posição. Conseguem rolar em ambas direcções, sentar-se sem ajuda, sentar-se e virar (sem cair), passar da posição de bruços para a posição de sentado e por fim levantar-se.
Durante estes meses, os bebés dão enormes passos cognitivos à medida que se apercebem do mundo que os rodeia. Entre os nove e doze meses, os bebés parecem estar sempre em movimento.
Os brinquedos de empurrar e puxar são também úteis pois dão à criança algo a que se pode agarrar, dando apoio.

Os bebés estão assim a aprender habilidades novas e a conseguir mover-se e a tentar descobrir como é que as coisas funcionam através de exploração.

É função do Educador de Infância, planificar e criar todas as condições necessárias para estimular o desenvolvimento dos bebés, nunca esquecendo que cada bebé tem o seu próprio ritmo.

Os primeiros anos são fundamentais para a formação da personalidade do bebé. Será papel do educador ajudá-lo a seguir em frente e caminhar com ele na apaixonante aventura de crescer.
Qualquer bebé transforma um objecto – por mais estranho que pareça – num brinquedo.

Fonte: Programação e planificação na creche 0-1 ano: Bola de Neve

domingo, 20 de março de 2011

Neste momento estou a ler...

(clique na imagem para mais informações)
Comprei este livro e acho que está a ser bastante interessante.
Apesar de ser mais direccionado para pais, penso que este livro nos ajuda a lidar melhor com aqueles miúdos que por vezes nos fazem perder a paciência. às vezes dá vontade de dar uma palmadinha pedagógica mas...não é necessário. É mesmo possível educar sem bater. Para quem tem dificuldades em lidar com os filhotes, os netos ou até mesmo com meninos na Creche/Jardim de Infância, recomendo a leitura deste livro. Mostra-nos casos reais e algumas técnicas que podem ser utilizadas em alternativa ao castigo e punição.

sábado, 19 de março de 2011

Letra de forma VS Letra Cursiva

Encontrei este texto e penso que é bastante interessante. Está em Português do Brasil pelo que algumas palavras fazem parte do vocabulário brasileiro.

"É importante entender porque a criança aprende primeiramente a letrinha de fôrma e não a cursiva e não simplesmente ensinar só porque a maioria faz assim e dá certo! Realmente, dá certo, mas há uma explicação do motivo pelo qual essa maneira é a melhor!

A criança está desenvolvendo a motricidade na fase da alfabetização e a letra do tipo bastão é mais fácil para se adequar neste momento. Os rabiscos começam a se endireitar e formar letras.

As letras de fôrma são ideais para esta fase, pois os caracteres são individuais e podem ser escritos um após o outro. Os traços são resumidos a pauzinhos aglomerados uns nos outros. Já as letras cursivas exigem uma agilidade maior, uma vez que, além de outras finalidades, são utilizadas para tornar o registro mais rápido.

O traçado simples das letras de fôrma dão maior liberdade no ato da escrita, ao contrário das “letras de mão” que precisam de uma organização maior. O ato de ligar uma letra a outra também dificulta o processo, pois anula a ação de tirar o lápis do papel e investir as forças na próxima letra, o que ordena um esforço motor maior.

Além disso, antes mesmo de serem alfabetizadas, as crianças já possuem contato com as letras de imprensa em jornais, na televisão, em livros, gibis. Elas não conseguem ler, mas fica na memória visual das mesmas.

Logo, a percepção da letra de fôrma é mais rápida e fácil do que da letra cursiva. No entanto, é importante trabalhar com esta última, assim que o infante se habituar à primeira. Não há problemas se as duas formas coexistirem por um tempo, porque independente da letra o que deve sempre estar em foco é a escrita. Pois mais importante do que a letra que a criança escolhe, é a compreensão da escrita como um ato de comunicação."

Por Sabrina Vilarinho

FONTE: Equipe Brasil Escola

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Dia do Pai

O Dia do Pai é um dia em que se presta uma homenagem aos pais de todo o mundo. Em Portugal o Dia do Pai celebra-se a 19 de Março.
A criação de um dia de homenagem aos pais terá acontecido nos Estados Unidos quando Sonora Luise decidiu homenagear o seu pai, William Smart, um vetereno da Guerra Civil que ficou viúvo quando sua esposa deu à luz ao seu sexto filho, tendo escolhido um dia especial para o fazer.

Mas afinal o que é ser pai?

Ser pai pode ser uma alegria, mas é também uma grande responsabilidade.

É o pai que, junto com a mãe sempre que possível, deve acompanhar, proteger, cuidar e ensinar os seus filhos sobre o que a vida tem de bom e também o que pode ter de mau.
O pai ideal deve, na minha opinião, ser justo, estar presente em todos os momentos da vida dos seus filhos, promover momentos de qualidade com eles, ser carinhoso e ser alguém que promova uma educação para os valores.
Não deve ser facilitador, fazendo tudo o que os meninos querem, mas também não deve ser alguém autoritário, não os deixando fazer o que gostam. Um pai deve manter-se firme nas decisões que toma, ouvir o que a criança tem para dizer, tentar perceber o que sente...
Amar um filho passa também por dizer não...

Deixo algumas poesias sobre o dia do pai:

Ó Papá tenho um segredo
Que hoje te vou contar
Quando vou p’rá cama à noite
Quero contigo sonhar.

Paizinho, brinca comigo
À bola ou ao pião
Gosto de brincar contigo
Pois és o meu amigão.

Sinto saudades tuas
Quando tu vais trabalhar
Queria ficar contigo
Em casa para brincar.

Um pai é um amigo
Todos dizem com razão
Ele gosta muito de nós
Do fundo do coração.

ROSA MATEUS
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Sou pequenino,
Do tamanho de um botão
Trago o meu Pai no bolso
E a Mãe no meu coração.

O bolso estava roto,
O Pai caiu no chão,
Eu apanhei-o
E pu-lo no coração.
----------------------------------------------

Com os dedinhos pintei,
E ao meu pai quero dar,
Esta charmosa gravata.
Acham que ele irá usar?

Como não tenho a certeza
E pelo sim, pelo não...
À gravata vou juntar
Beijos e um xi-coração!
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O pai sabe
Sabe, sabe.
O pai é mesmo um sabão
Um sabão?
Um sabão não!
Um sábio ou sabichão,
O sabão é para as mãos.
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P’ró meu pai
Eu fiz um presente
Para lhe oferecer
E para ele ficar contente.

Quando eu faço mal
Ele ralha comigo
Dá-me bons conselhos
E é meu amigo.

Pegando no seu saquito
Alegre lá vai
O dia está bonito
Pois é Dia do Pai.

O que tenho para lhe dar
Não é nada de valor
Mas o meu pai vai gostar
Pois dou-lhe com muito amor.

É uma pequena surpresa
Mais um bonito cartão
É tudo muito importante
Foi feito pela minha mão.

Embrulho tudo isto
Em papel lindo com um laço
E hoje dou ao meu pai
Mais um beijo e um abraço.
----------------------------------------------

Pai, Papá,
Paizinho, Paizão,
Tens um lugar
No meu coração.
Está tão guardado
Lá bem no fundo.
És o melhor
Paizão do mundo.
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Hoje é dia do Pai
Querido Pai do coração
Vou dar-te um presentinho
Que é p’ra ser recordação

Hoje é dia do Pai
Querido Pai do coração
Por isso te vou cantar
Muito feliz esta canção.
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Vou contar um segredinho
Eu tenho um grande tesouro
É o meu paizinho querido
Que vale mais do que ouro.
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Pai, Paizinho.
Amigo, amiguinho.
Neste dia te vou dar um beijinho
Com muito amor e carinho.
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O pai é um grande amigo
É alguém em quem podes confiar
O pai dá-te tudo de bom
E sabes que podes sempre
Com ele contar.
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Pai, neste dia que é só teu
Eu quero ficar contigo
Para brincar ou conversar
Pois és o meu maior amigo.

Pai, pára um bocado
Brinca comigo ao pião
Andas sempre tão cansado
Vem, dá-me a tua mão.
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O meu pai é grande
Quase que chega ao céu
Tem força de um gigante
O meu pai é só meu
Gosto dele
E ele gosta de mim
O meu pai é assim.
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Querem ver
Eu já sei escrever
Junta-se o P com o A
E o I, vamos lá!
E sabem o que daqui sai?
A linda palavra PAI.
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Papá querido
Papá do meu coração
Papá, és meu amigo
Papá dá-me a tua mão.
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Pai, Pai amigo,
Companheiro de brincadeiras
Se eu brincar contigo
E tu brincares comigo,
Não quero mais nada.

Da tua voz, do teu sorriso,
Da tua mão forte e segura,
Da tua confiança e ternura,
De tudo isto, Pai,
É que eu preciso.
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Com as mãos te faço mimos
Quero ter sempre, Pai querido,
Sempre, sempre os teus carinhos.
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Presente ...
Para o meu Pai amado
Um presente fui comprar.
Mas, na loja não havia
O amor que quero dar!
- Escute, Pai do Céu,
Um pedido que lhe fiz:
Ao meu Pai dê saúde
E uma vida feliz!
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Com a mão direita
Faço-te um miminho
Com a mão esquerda
Faço-te um carinho
E com as duas mãos
Fiz esta linda prendinha
E dou-te um xi-coração.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Importância das Áreas/Cantinhos da sala de actividades

Muitas vezes perguntamos: mas porque existem áreas ou cantinhos organizados na nossa sala de actividades? E porque é que são sempre os mesmos?
Pois é, não é só uma questão de organização da sala. Tudo tem um objectivo pedagógico e a organização da sala também tem. No entanto, não devemos cingir-nos apenas à tradicional casinha, garagem, espaço da manta etc. Devemos sempre alargar para outro tipo de áreas de acordo com os interesses que as crianças manifestam nas suas brincadeiras (daí a importância também da observação que nos permite alargar o nosso conhecimento sobre o grupo). Se um grupo de crianças mostra particular interesse em brincar aos cabeleireiros ou aos médicos, devemos desenvolver e aprofundar o seu interesse e o seu jogo criando uma área na sala relacionada com o tema e colocando materiais à sua disposição. No caso do cabeleireiro, colocar tesouras, um busto, escovas, etc. É de grande importância que os materiais à disposição sejam o mais próximo do real para que os meninos tenham experiências mais plenas e mais ricas.
Vejamos a importância de cada uma das áreas/cantinhos da sala de actividades para as crianças.

Objectivos Das Areas.cantinhos

segunda-feira, 20 de abril de 2009

O Valor de Ser Educador

"Ser educador é pintar o mundo de todas as cores
É poder fazer sorrir as crianças
É vê-las crescer...
É ajudá-las a aprender.
Ser educador é profissão de amor
E deixar em cada criança
A lembrança de um mundo melhor.
Ser educador é ser poeta
É ser pintor,
É ser palhaço,
É ser actor.
Ser educador é ser criança
É ser adulto
É ter esperança.
Ser Educador é...
Ser transmissor de verdades,
De inverdades...
Ser cultivador de amor,
De amizades.
Ser convicto de acertos,
De erros.
Ser construtor de seres,
De vidas.
Ser edificador.
Movido por impulsos, por razão, por emoção.
De sentimentos profundos,
Que carrega no peito o orgulho de educar.
Que armazena o conhecer,
Que guarda no coração, o pesar
De valores essenciais
Para a felicidade dos “seus”.
Ser conquistador de almas.
Ser lutador,
Que enfrenta agruras,
Mas prossegue, vai adiante realizando sonhos,
Procurando se auto-realizar,
Atingir a sua plenitude humana.
Possuidor de potencialidades.
Da fraqueza, sempre surge a força
Fazendo-o guerreiro.
Ser de incalculável sabedoria,
Pois “o valor da sabedoria é melhor que o de rubis”.
É...Esse é o valor de ser educador.
Por fim o educador deve ser...
Criativo como Picasso
Poliglota
Rápido como um relâmpago
De uma resistência a qualquer prova
Alegre,
Terno como um pintainho
Engenhoco como um Estrumpfe
Além disso, deve ter...
Uma memória de elefante
Uma paciência de anjo
Resistência a qualquer prova
Olhos à volta da cabeça
Um filtro nasal
Resposta automática integrado
Um microfone incorporado
Umas costas largas
Orelhas biónicas com controlo de intensidade
Oito braços como um polvo
Um coração como Phil Latulippe
Dedos de fada
Pernas de atleta
Uma bexiga de cinco litros
Um sistema imunitário revolucionário
Uma mulher orquestra!
UMA SUPER MULHER (na sua maioria)


Mas apesar ou devido a tudo isto é que ele adora aquilo que faz...
Basta um sorriso, um abraço e todo o stress passa e dá vontade de continuar, de inovar e de por fim sorrir, rebolar pelo chão e brincar como os pequeninos..."

Este foi um poema que li algures e identifiquei-me tanto com ele que resolvi partilhá-lo. Penso que diz exactamente o que é ser educador, porque realmente temos de ser muitas vezes super-mulheres ou super-homens.

domingo, 1 de março de 2009

Inglês no Jardim de Infância

Olá colegas

Antes de mais, agradeço todos os miminhos que me têm deixado e prometo que quando tiver mais tempo faço os respectivos posts.


Hoje venho falar-vos de um assunto que tem causado muita controvérsia no sector da educação, nomeadamente na educação pré-escolar: o ensino precoce da língua inglesa.
O que acham sobre este assunto?
Eu discordava que nos Jardins-de-Infância se "leccionasse" a língua inglesa pelo motivo de as crianças às vezes chegarem ao fim do 1º Ciclo e não saberem escrever como deveriam nessa idade. No entanto, depois de ler alguns textos, passo a concordar, ainda com uma certa relutância. É caso para dizer que, sem conhecer o assunto, não devemos fazer juízos nem dar opinião (que foi o que fiz).


Aqui vai um texto que adaptei de outros acerca do assunto. Qual a vossa opinião?

(Cliquem na imagem para lerem o texto. Não consegui postar como texto porque dava erro.)


sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Pedagogia de projecto

O que é e para que serve?


Todos nós trabalhamos com projectos em todos os momentos da nossa vida.

Na escola ou no jardim de infância, o projecto é uma forma de ajudar a criança a aprender de maneira prática, tornando a aprendizagem atraente e eficaz.
A realização de um projecto exige processos mentais, tarefas físicas e propostas de problemas e respostas a várias questões.
O projecto parte de uma situação-problema, um desafio para o encontro da solução.
Através do projecto, a criança é incentivada a:

  1. desenvolver actividades com objectivos concretos;
  2. realizar tarefas produtivas;
  3. desenvolver a compreensão por meio da experiência;
  4. desenvolver a iniciativa e a responsabilidade;
  5. estimular a perseverança na realização de tarefas;
  6. valorizar o trabalho cooperativo;
  7. desenvolver o pensamento reflexivo;
  8. ampliar campos de interesses.

Fases de um projecto

  1. Intenção e Incentivo: Inicia-se um projecto quando se percebe um grande interesse por parte das crianças por um determinado assunto ou situação concreta. O educador/professor deve aproveitar esse interesse para desenvolver o assunto e propor questões (desafios) para a resolução do problema ou situação.
  2. Preparação do plano de trabalho: Realizam-se pesquisas, procurando os instrumentos necessários, planeando as actividades para a solução dos problemas. Esse roteiro funcionará como referência para a realização do trabalho.
  3. Execução: É a fase da acção e a mais estimulante para as crianças. Nesta fase podem surgir dificuldades, erros e imprevistos e as crianças serão orientadas a resolvê-los e a continuar o trabalho. O educador/professor deve estar atento e estimular as crianças, valorizando o seu desenvolvimento e acompanhando as suas dificuldades. O trabalho deve ser sempre feito pelas crianças.
  4. Avaliação: Serão avaliados, pelas crianças, o objectivo, o planeamento, as actividades e o resultado final. Com a ajuda e orientação do educador/professor, as crianças farão uma análise do seu trabalho, apresentando críticas e comentários apropriados sobre o projecto.
  5. Culminância: É o atingir do objectivo básico do projecto através de uma apresentação, exposição, exibição do resultado obtido.

O educador/professor deve facilitar a integração dos conteúdos dos diversos materiais e oferecer oportunidades para o exercício da liberdade e uso de direitos. A criança aprende fazendo e a aprendizagem é mais consistente e duradoura.
A função do educador/professor é a de orientador, sensibilizador, conselheiro, desafiador, em que exerce e controla as actividades, avaliando as crianças e o seu próprio desempenho.
Uma discussão na sala pode ser uma forma de avaliar um projecto, dando oportunidades para reflectir sobre a contribuição e a validade do projecto.
A avaliação deve ser constante, através de observações, actividades, participação e colaboração.


In Colecção Dia-a-Dia do Professor Volume 3 1º Período



quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Gosto do Jardim-de-Infância


Gosto do Jardim-de-Infância
Porque cá posso brincar
Fazer lindas construções
Depois tudo desmanchar.
Ouvir histórias e canções
Depois ser eu a contar…
Correr, saltar e jogar
Conversar e partilhar…
Gosto do Jardim-de-Infância
Porque cá posso pintar
Das cores que me apetecer
Posso cortar e colar
Fazer prendas para oferecer
Dar passeios, fazer rodas
E dançar até querer!
Ensaiar quando há festas
Para tudo correr bem…
Nesse dia sou artista
Para o pai e para a mãe…
Gosto do Jardim-de-Infância…
É difícil de entender?
Tenho cá os meus amigos,
Muitas coisas para fazer!


CUSTÓDIO, Lourdes, "No Jardim de infância", Ambar, Colecção giroflé

sábado, 15 de dezembro de 2007

Creche: Caminhos de Inclusão



"Caminhos pedagógicos da inclusão: A creche, um bom começo
A creche, entendida como uma instituição educativo-profissional torna-se o primeiro local onde a criança vivencia situações de inclusão. Desde os momentos assistenciais (alimentação, higiene, descanso), até às brincadeiras e actividades pedagógicas, a criança estará participando de escolhas que incluem ou excluem objetos e/ou pessoas. Nossa sociedade gira em torno dessas situações, devido às escolhas que fazemos a partir daquilo que nos interessa. Acredita-se que sendo a creche um ambiente onde a criança inicia sua interação com pessoas sem nenhum grau de parentesco, torna-se relevante um trabalho pedagógico consciente, pois nossas ações podem deixar sentimentos cristalizados. A maneira de conduzir a prática diária dessas instituições poderá instigar o sujeito a tornar-se alguém seguro e confiante ou retraído e sentindo-se incapaz. A questão do remanejamento é um momento importante, porém não é o único. De nada adianta todo um preparo para a inclusão, se no decorrer do ano houver desagregação neste meio. A isto é importante salientar que os educadores precisam constantemente buscar conhecimentos, resgatando o que sabem e construir uma pedagogia não revolucionária, mas, capaz de reconhecer nas pequenas coisas, nos pequenos momentos uma ação transformadora da prática, que, muitas vezes está calçada numa dinâmica corroída pelo tempo. Saber pensar não é algo que se obtém por técnica, receita ou método. Saber pensar não é só aplicar a lógica e a verificação aos dados da experiência. Precisamos, pois, compreender que regras, que princípios regem o pensamento que nos faz organizar o real, isto é, selecionar/privilegiar certos dados, eliminar/subalternizar outros. (...) Saber pensar significa, indissociavelmente, saber pensar o próprio pensamento. Precisamos pensar-nos ao pensar, conhecer-nos ao conhecer. É essa experiência reflexiva fundamental, que não é só a do filósofo profissional e não deve estender-se apenas ao homem da ciência, mas deve ser a de cada um e de todos. (Morin, Edgar, 1987, p. 111). É através das reflexões da nossa postura, diante do nosso trabalho que podemos transformar nossas ações. É através dos questionamentos e daquilo que nos intriga que há impulsionamento para a busca das respostas. A dúvida reorienta o olhar do educador, se deixar que ela morra seremos meros "cumpridores de horas trabalhadas", lavando as mãos para o compromisso e vestindo a camisa da incompetência. Os profissionais de creche precisam ter em mente que neste local sempre estarão lidando com questões que envolvem separação, conquistas e progressiva autonomia das crianças. Estas questões giram em torno da inclusão e conseqüentemente da exclusão. Respostas ou receitas para um trabalho inclusivo na creche não existem, não é somente uma graduação em pedagogia que trará subsídio para tal investida. O que precisa ocorrer é um trabalho efetivamente em grupo com cada membro responsável em fazer a sua parte. Esse trabalho em grupo não envolve somente educadores, mas, toda a instituição e principalmente as famílias. Um grupo se constrói através da constância da presença de seus elementos na constância da rotina e de suas atividades. Um grupo se constrói no espaço heterogêneo das diferenças entre cada participante. Um grupo se constrói enfrentando o medo que o diferente, o novo provoca, educando o risco de ousar. Um grupo se constrói na cumplicidade do riso, da raiva, do choro, do medo, do ódio, da felicidade e do prazer. (Grossi, 2001, p. 65). É nessa dinâmica de comprometimento que emergem os caminhos de uma pedagogia inclusiva na creche. Cada instituição possui uma política única de trabalho, para tanto, o caminho pedagógico da inclusão é um trajeto a ser construído por todos, ou seja, pais, educadores, coordenadores, com o intuito de promover uma Educação Infantil de qualidade e para todos, visando o desenvolvimento de uma infância compreendida e valorizada no seu momento, nas suas particularidades. Uma Educação Infantil de qualidade requer acima de tudo experiências significativas para as crianças, pois estas determinam o intercâmbio dela com o mundo, absolutamente necessário para a vida e o viver de qualquer cidadão."

Cláudia Regina Pinto Michelli e Julianne Fischer in http://www.bancodeescola.com/infancia_creche.htm

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

O que é Educação de Infância?

Todos nós temos princípios quer como pessoas quer como profissionais e os educadores não são excepção. Cada educador tem as suas próprias ideologias, os seus próprios métodos, os seus próprios conceitos de Educação de Infância, as suas regras...
Considero, portanto, essencial falar um pouco do que significa para mim a Educação de Infância, assim como de alguns princípios que um educador deve, em geral (e na minha opinião) ter em conta.

“...A educação pré-escolar é a primeira etapa da educação básica ao longo da vida, sendo complementar da acção educativa da família, com a qual deve estabelecer estreita relação, favorecendo a formação e o desenvolvimento equilibrado da criança, tendo em vista a sua plena inserção na sociedade como ser autónomo, livre e solidário...”.[1] Penso que esta afirmação resume muito bem qual deverá ser o papel do educador junto das crianças: a Educação de Infância é a primeira das várias etapas de educação ao longo da vida e, por isso, uma das mais importantes e decisivas para um sucesso a todos os níveis.
Surge como uma continuidade da acção educativa da família e por esta razão, deveremos manter com as famílias uma relação de proximidade, onde se verifique troca de opiniões e de conhecimentos, visando atingir um mesmo objectivo – o bem-estar da criança e o seu desenvolvimento pleno e saudável.

A criança é um ser com direitos que muitas vezes são esquecidos e cabe a nós, educadores, lutar por esses direitos, criar-lhes condições de bem-estar e aprendizagem, num clima baseado no afecto, na segurança… É nosso papel como educadores contribuir para uma maior igualdade de oportunidades, visando uma educação para todas e para cada uma das crianças, num clima de respeito pelos outros, de cooperação e interajuda entre todas. É igualmente importante que a criança se sinta respeitada, a nível das suas ideias, pensamentos, sentimentos, pontos de vista e como ser humano único, autêntico e especial à sua maneira.

É dever do educador lutar, para que a voz da criança seja cada vez mais ouvida e a sua dignidade cada vez mais respeitada. É importante encarar a criança como um ser activo no seu processo de desenvolvimento, aprendizagem e de interacção com o meio envolvente. Deveremos, portanto, partir das suas ideias, saberes e culturas e valorizar as suas características, dando assim origem a um diversificado leque de experiências e saberes partilhados, saudável para o desenvolvimento e crescimento de todos. É, no entanto, essencial contribuir para que a criança se sinta como membro pertencente a um grupo, onde sinta a necessidade de ser respeitada e de respeitar o outro, onde deseje ser ouvida e por isso deva ouvir os outros, onde deseje compreensão e por isso deva procurar compreender os outros. Penso que este tipo de atitude ajuda a criança a crescer num ambiente de solidariedade, de respeito, de liberdade de expressão, de compreensão e interajuda, desejado por todos.
Um bom educador deverá valorizar o brincar da criança. “Através de uma brincadeira, podemos compreender como ela vê e constrói o mundo, o que gostaria de ter e quais as suas preocupações. Pela brincadeira, a criança expressa o que teria dificuldade de colocar em palavras. Nenhuma criança brinca só para passar o tempo, sua escolha é motivada por processos íntimos, desejos, problemas, ansiedades. O que está acontecendo com a mente da criança determina suas actividades lúdicas; brincar é sua linguagem secreta, que devemos respeitar mesmo se não a entendemos"[2]. Brincar é uma actividade diária na vida das crianças. É a forma como elas resolvem a maior parte dos conflitos criados pelas limitações do mundo em que vivem e que é, eminentemente, um mundo dos adultos. Através da brincadeira, a criança expressa a sua forma de representação da realidade.
Apesar do jogo ser uma actividade espontânea nas crianças, isso não significa que o educador não tenha uma atitude activa. “A perspectiva teórica do sócio-interaccionismo destaca o papel do adulto frente ao desenvolvimento infantil, cabendo-lhe proporcionar experiências diversificadas e enriquecedoras, a fim de que as crianças, possam fortalecer sua auto-estima e desenvolver suas capacidades”.[3] O educador pode (e deve) proporcionar oportunidades de aprendizagem às crianças, através do aprofundar das suas brincadeiras. A participação do educador no jogo da criança, aumenta o seu nível de interesse pela actividade, pelo enriquecimento que aquele proporciona. O educador que interage, desperta a atenção e a compreensão, enriquecendo o brincar. Mas é imprescindível que se observe como é que a criança brinca, respeitando a sua iniciativa, as suas preferências, o seu ritmo de acção para que possamos intervir da melhor maneira.
Um educador deverá ser capaz de atender aos interesses e necessidades das crianças, proporcionando-lhes experiências enriquecedoras e significativas, organizando um ambiente de afecto e ao mesmo tempo desafiador, que propicie a exploração da curiosidade infantil, incentivando o desenvolvimento do sentido crítico e da progressiva autonomia da criança.
É muito importante que valorizemos as crianças pelo que são, pensam, sentem e fazem. Se se sentirem valorizadas, sentirem que as suas ideias, comportamentos, atitudes e capacidades têm valor, então aprenderão a ter confiança em si mesmas, a ter segurança naquilo que fazem, a sentir a sua auto-estima estimulada. Caso contrário, uma auto-estima baixa, um ambiente em que a criança não sinta as suas aptidões e ideias valorizadas, constituirão um obstáculo para o seu envolvimento, o seu sucesso no futuro e também para a sua felicidade pessoal e profissional. Quando permitimos à criança ser dona dos seus sentimentos, causamos um grande impacto sobre a sua auto-estima. Desta forma, a criança é capaz de se sentir capaz, útil e participante no seu processo de aprendizagem e só assim se pode sentir plenamente realizada.
Para contribuir para um ambiente educativo que promova o desenvolvimento global, saudável e harmonioso da criança, é essencial observar, planear, avaliar, comunicar e reflectir sobre o processo educativo.
Observar permite-nos conhecer todas e cada uma das crianças, as suas necessidades, os seus interesses e as suas dificuldades. Em Educação de Infância, considera-se observação, a base do planeamento e avaliação do nosso próprio desempenho, para darmos resposta às necessidades de uma criança. A resolução dos problemas, uma boa prática profissional e até mesmo as maiores aprendizagens das crianças passam primeiro por uma boa observação por parte do educador. É essencial que se observe para se entender aquilo que interessa às crianças, para perceber o contexto e para perceber a origem dos problemas que influenciam as aprendizagens. Compete, então, ao Educador de Infância, com vista à construção das aprendizagens, observar cada criança e o grupo, organizar, planificar, concretizar, avaliar/comunicar e promover a continuidade educativa.

“Planear o processo educativo de acordo com o que o educador sabe do grupo e de cada criança, do seu contexto familiar e social é condição para que a educação pré-escolar proporcione um ambiente estimulante de desenvolvimento e promova aprendizagens significativas e diversificadas que contribuam para uma maior igualdade de oportunidades”.[4] Desta forma, o planeamento de todo o conjunto de actividades seleccionadas, deve ter como ponto de partida a criança, uma vez que o conhecimento desta e da sua evolução “constitui o fundamento da diferenciação pedagógica que parte do que esta sabe e é capaz de fazer para alargar os seus interesses e desenvolver as suas potencialidades”.[5] Tudo isto apresenta uma grande importância para o sucesso da educação pré-escolar, na medida em que “partir do que as crianças sabem, da sua cultura e saberes próprios[6] e “respeitar e valorizar as características individuais da criança, a sua diferença, constitui a base de novas aprendizagens”.[7]
O educador deve ter em conta que a “oportunidade de usufruir de experiências educativas diversificadas, num contexto facilitador de interacções sociais alargadas com outras crianças e adultos, permite que cada criança, ao construir o seu desenvolvimento e aprendizagem, vá contribuindo para o desenvolvimento e aprendizagem dos outros”.[8]
Avaliar permite adequar a acção às necessidades e interesses da criança e do grupo. De acordo com as Orientações Curriculares para a Educação Pré-escolar, “a avaliação realizada com as crianças é uma actividade educativa, constituindo também uma base de avaliação para o educador. A sua reflexão, a partir dos efeitos que vai observando, possibilita-lhe estabelecer a progressão das aprendizagens a desenvolver com cada criança. Neste sentido, a avaliação é suporte do planeamento.”[9] A criança terá, então, um papel importante na construção do processo educativo.
Comunicar e trocar opiniões com os pais e a comunidade contribuirá, sem dúvida, para um melhor conhecimento da criança. Fazer a ponte entre o Jardim e o contexto familiar possibilita à criança uma troca de experiências única.
Reflectir permite que tomemos consciência das nossas acções, podendo melhorá-las numa próxima oportunidade, se necessário, numa constante readaptação da acção.
A educação da criança, tendo em vista a sua plena inserção na sociedade como ser autónomo, livre e solidário, passa também pelo desenvolvimento de várias áreas de conteúdo muito importantes para o seu desenvolvimento global: a Área de Desenvolvimento Pessoal e Social, a Área de Expressão e Comunicação e a Área do Conhecimento do Mundo. Da Área de Expressão e Comunicação fazem parte o domínio das expressões, que engloba a expressão dramática, a motora, as expressões plástica e musical, o domínio da linguagem e da escrita e o domínio da matemática. A Área do Conhecimento do Mundo permite fazer a articulação entre as duas outras áreas de conteúdo, sendo que é “através das relações com os outros que se vai construindo a identidade pessoal e se vai tomando posição perante o “mundo” social e físico”[10]. Neste ponto, assume também muita importância, não apenas a interacção com a família, como também a colaboração com a comunidade onde a criança está inserida.



[1] Ministério da Educação. (1997). Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar. Departamento da Educação Básica. Núcleo de Educação Pré-Escolar. Lisboa. p. 15

[2] BETTELHEIM, Bruno (1984). Uma vida para seu filho. São Paulo: Artmed, p. 105

[3] CRAIDY, Carmem Maria; KAERCHER, Gládis Elise P. da Silva (orgs) (2001). Educação Infantil: p’ra que te quero? Porto Alegre: Artmed, p.27

[4] Ministério da Educação. (1997). Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar. Departamento da Educação Básica. Núcleo de Educação Pré-Escolar. Lisboa. p. 26

[5] Idem, p.25

[6] Ibidem.

[7] Ibidem.

[8] Ibidem, p. 19

[9] Ibidem p. 27

[10] Ministério da Educação. (1997). Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar. Departamento da Educação Básica. Núcleo de Educação Pré-Escolar. Lisboa. p. 21

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Competências e objectivos: que diferença?

“O saber que importa nesta perspectiva das competências é o que poderá ser útil ao seu possuidor na resolução de problemas, na relação com os outros, na sua relação com o conhecimento, na sua acção diária. Um saber a que o seu possuidor é capaz de atribuir sentido, tornando-o utilizável”.
(Ofélia Libório in Encontro Internacional Qualidade em Educação de Infância: currículo e aprendizagens (2006)

Competência constitui a meta a alcançar pelo currículo escolar”.
(Roldão, 2003, p. 16)

Para muitos educadores, a noção de competência confunde-se com a noção de objectivos a alcançar. Desta forma, é importante perceber a noção e a relação que existe entre esses dois conceitos.
Roldão (2003, pp. 20-21) define objectivo como aquilo que se pretende que um aluno aprenda, numa dada situação de ensino e aprendizagem, e face a um determinado conteúdo ou conhecimento”, e define competência como o saber que se traduz na capacidade efectiva de utilização e manejo – intelectual, verbal ou prático – e não a conteúdos acumulados com os quais não sabemos nem agir no concreto, nem fazer qualquer operação mental ou resolver qualquer situação, nem pensar com eles”.
Quando estamos perante a formulação de objectivos de aprendizagem, devemos ter em conta a sua finalidade, ou seja, devemos ter em conta qual a competência que pretendemos alcançar a partir do objectivo que construímos.
É a partir das aprendizagens que a criança tem consolidadas que ela vai alcançar as competências que se pretendem pois a competência implica a capacidade de ajustar os saberes a cada situação e por isso eles devem estar consolidados, integrados e portadores de mobilidade. (Roldão, 2003, p. 24).
Desta feita, e segundo outros autores, tal como Perrenoud (s.d), a competência está relacionada com o processo de mobilizar ou activar recursos – conhecimentos, capacidades, estratégias – em diversas situações. As competências pressupõem conhecimentos, mas não se confundem com a aquisição de conhecimentos sem que hajam aprendizagens e experiências quanto à sua utilização.
Dolz e Ollagnier (2004), definem competência como a capacidade de criar um comportamento num determinado domínio. Com a noção de competências, definem-se os saberes experienciais necessários, que permitem que as crianças resolvam problemas que vão surgindo.
Para desenvolver competências, é necessário colocar a criança em situações complexas, que exigem e treinam a mobilização dos seus conhecimentos: um problema para resolver, uma escolha para fazer…Assim sendo, a noção de competências remete para situações, nas quais é necessário tomar decisões e resolver problemas.
Desta forma, e como refere Roldão (2003), existe competência/s quando, perante um determinado problema, se é capaz de mobilizar adequadamente diversos conhecimentos que se possui, seleccioná-los e integrá-los, de forma adequada, face àquele problema, isto é, a pedagogia pelas competências define as acções que o aluno, e neste caso as crianças, deve ser capaz de realizar após a sua aprendizagem.
Quando nos debruçamos sobre o documento Currículo Nacional do Ensino Básico – Competências Essenciais (p.9), podemos verificar que a noção de competências é ampla uma vez que integra conhecimentos, capacidades e atitudes e que pode ser entendida como saber em acção ou em uso. Trata-se, portanto, de promover o desenvolvimento integrado de capacidades e atitudes que viabilizam a utilização de conhecimentos em situações diversas, mais familiares ou menos familiares ao aluno”.
Desta feita, depois de analisarmos a noção de objectivos e de competências, podemos concluir que (e segundo Roldão (2003, p. 22) a competência é o objectivo último dos vários objectivos que para ela contribuem”, ou seja, a competência é o objectivo que pretendemos alcançar a partir de todos os outros objectivos de aprendizagem.


Bibliografia:

DOLZ, Joaquim; OLLAGNIER Edmée; et al (2004). O Enigma da Competência em Educação, Porto Alegre, Editora Artmed

LIBÓRIO, Ofélia (2006). Encontro Internacional Qualidade em Educação de Infância: currículo e aprendizagens. Disponível em: www.fbb.pt/qei/images/stories/qei_-_o_ponto_de_vista_das_criancas.pdf

PERRENOUD, Philippe (s.d) Porquê Construir competências a partir da escola? Desenvolvimento da autonomia e luta contra as desigualdades. Cadernos do CRIAP, Porto: ASA editores, nº 28.

ROLDÃO, Maria do Céu (2003). Gestão do Currículo e avaliação de Competências: As questões dos professores. Editorial Presença, Lisboa.