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segunda-feira, 5 de novembro de 2007

A qualidade no contexto de Jardim de Infância

Sabemos que é de grande importância ter em conta a qualidade dos contextos educativos onde desenvolvemos as nossas práticas, uma vez que tal contribui para o bem-estar pleno das crianças, assim como os níveis de implicação. Desta forma, é importante percebermos o conceito de qualidade.
Segundo alguns autores (Dahlberg, Moss e Pence, 1999), para a maioria das pessoas, falar de qualidade é falar de uma espécie de desafio, de um objectivo a alcançar, muito mais do que de um problema.
Não existe apenas uma definição de qualidade, mas seja qual for a opinião que temos acerca de qualidade, não poderemos negar, segundo os mesmos autores, que ela exerce um papel dominante na nossa prática, linguagem e pensamento.
Um grande número de autores que trabalha acerca do conceito qualidade, descrevem-no como sendo algo “subjectivo, baseado em valores, relativo e dinâmico, sobre o qual é possível ter múltiplas perspectivas ou interpretações.” (Dahlberg, Moss e Pence, 1999, p.19 (traduzido por mim). Esses mesmos autores defendem que o trabalho que é realizado em torno da qualidade deve ser contextualizado, tanto a nivel de espaço como a nível de tempo. Além do mais, deve-se também ter em conta a diversidade, nomeadamente a cultural.
Desta forma, quando falamos de qualidade, deveremos ter em conta que o conceito varia dependendo da perspectiva que cada um tem do termo (que está subjacente aos valores de uma sociedade), e que varia consoante o contexto, uma vez que os contextos de infância também variam.
Ao longo das investigações que foram feitas ao longo dos anos, desenvolveram-se diversos recursos, que foram sendo utilizados pelos investigadores como um meio de avaliação da qualidade dos contextos.
Desta feita, como método de análise da qualidade em contextos de infância, surge-nos a ECERS (Early Childhood Environment Rating Scale), que, tal como é descrita pelos seus autores (Harms e Clifford, in Dahlberg, Moss e Pence, 1999; p.159 (traduzido por mim), “é um meio relativamente breve e eficiente para se ter uma noção da qualidade dos contextos educativos” (Harms e Clifford, 198, p.iv)”.
A ECERS
é uma escala de observação, constituída por 43 itens que se encontram divididos em sete sub-escalas, e que através das pontuações que são obtidas a partir das escalas, pretende oferecer uma perspectiva geral da qualidade em Educação de Infância.
Ao contrário do que se possa pensar, e depois de ter lido alguma bibliografia sobre o assunto, posso dizer que a ECERS não é a lei em investigação da qualidade dos contextos, uma vez que não se refere a um contexto em particular, mas sim a diversos contextos, sendo um instrumento universal. Sendo o conceito de qualidade, tal como foi dito anteriormente, um conceito que deve ter em conta a diversidade dos contextos, a diversidade de culturas, entre outros aspectos, a ECERS não se encontra nesse conceito, uma vez que diz respeito a um conceito de “qualidade universal”, isto é, não tem explícitos os valores de uma determinada sociedade, não tem em conta a diversidade de culturas, a diversidade de espaços.
No entanto, e apesar de todos os pressupostos anteriores relativamente à ECERS, poderemos observar os contextos no que diz respeito à qualidade a partir de alguns aspectos deste documento, que achamos mais relevantes para o contexto em si.
Apesar de nos guiarmos por este documento, há que ter consciência de que a qualidade do ambiente educativo depende, como já foi dito, do contexto e de muitos factores como a nossa própria perspectiva de qualidade num Jardim de Infância.
Desta forma, os itens que se encontram explícitos neste documento poderão servir apenas de base para a nossa análise do contexto, uma vez que a avaliação da qualidade não se baseia, na minha modesta opinião, apenas nesses itens, mas também na forma como as crianças interagem no contexto, a forma como o contexto afecta as crianças (bem-estar e implicação das crianças), uma vez que os métodos como a ECERS pretendem descobrir apenas as “verdades inatas, objectivas, universais e generalizadas” (Dahlberg, Moss e Pence, 1999, p. 162) das instituições, e tratam “as crianças e instituições como “objectos independentes (Henrique e outros, 1984, pp. 101-102)” (idem).
Não deveremos ter, portanto, a intenção de avaliar o contexto como uma escala, mas sim referir os pontos fortes e fracos que achamos relevantes no contexto em que nos encontramos, e também referir aspectos que achamos relevantes para avaliar a qualidade do contexto em que nos encontramos (a forma como o contexto afecta as crianças – Bem-estar e Implicação; a forma como as crianças interagem entre si, o estilo do educador, entre outros), tentando não colocar a instituição e as crianças como “objectos independentes”.

Bibliografia:
GUNILLA Dahlberg; MOSS Peter; PENCE Alan (2005). Más allá de la calidad en la educación infantil. Colección Biblioteca Infantil, Editorial Graó, Barcelona



Nota: Este texto apenas diz respeito à minha visão acerca da qualidade, partindo de leituras que fiz ao longo do meu estágio curricular. Respeito todos aqueles que discordam e convido-os a partilhar a sua opinião.

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