A todos aqueles que me pedem informações através dos comentários, peço por favor que deixem o contacto de email para que possa responder às dúvidas colocadas ou enviem um email para


milkaleite@hotmail.com




Obrigada e voltem sempre! :)


Encontre o que precisa neste blog

Siga-me através do seu email

domingo, 23 de dezembro de 2007

Boas Festas


Que mais se pode desejar senão um Natal cheio de amor, saúde e felicidade? Boas festas!
Desejo a todos os visitantes que 2007 termine da melhor maneira e que 2008 vos traga tudo o que desejam.

São os meus votos sinceros

Cláudia

sábado, 15 de dezembro de 2007

Creche: Caminhos de Inclusão



"Caminhos pedagógicos da inclusão: A creche, um bom começo
A creche, entendida como uma instituição educativo-profissional torna-se o primeiro local onde a criança vivencia situações de inclusão. Desde os momentos assistenciais (alimentação, higiene, descanso), até às brincadeiras e actividades pedagógicas, a criança estará participando de escolhas que incluem ou excluem objetos e/ou pessoas. Nossa sociedade gira em torno dessas situações, devido às escolhas que fazemos a partir daquilo que nos interessa. Acredita-se que sendo a creche um ambiente onde a criança inicia sua interação com pessoas sem nenhum grau de parentesco, torna-se relevante um trabalho pedagógico consciente, pois nossas ações podem deixar sentimentos cristalizados. A maneira de conduzir a prática diária dessas instituições poderá instigar o sujeito a tornar-se alguém seguro e confiante ou retraído e sentindo-se incapaz. A questão do remanejamento é um momento importante, porém não é o único. De nada adianta todo um preparo para a inclusão, se no decorrer do ano houver desagregação neste meio. A isto é importante salientar que os educadores precisam constantemente buscar conhecimentos, resgatando o que sabem e construir uma pedagogia não revolucionária, mas, capaz de reconhecer nas pequenas coisas, nos pequenos momentos uma ação transformadora da prática, que, muitas vezes está calçada numa dinâmica corroída pelo tempo. Saber pensar não é algo que se obtém por técnica, receita ou método. Saber pensar não é só aplicar a lógica e a verificação aos dados da experiência. Precisamos, pois, compreender que regras, que princípios regem o pensamento que nos faz organizar o real, isto é, selecionar/privilegiar certos dados, eliminar/subalternizar outros. (...) Saber pensar significa, indissociavelmente, saber pensar o próprio pensamento. Precisamos pensar-nos ao pensar, conhecer-nos ao conhecer. É essa experiência reflexiva fundamental, que não é só a do filósofo profissional e não deve estender-se apenas ao homem da ciência, mas deve ser a de cada um e de todos. (Morin, Edgar, 1987, p. 111). É através das reflexões da nossa postura, diante do nosso trabalho que podemos transformar nossas ações. É através dos questionamentos e daquilo que nos intriga que há impulsionamento para a busca das respostas. A dúvida reorienta o olhar do educador, se deixar que ela morra seremos meros "cumpridores de horas trabalhadas", lavando as mãos para o compromisso e vestindo a camisa da incompetência. Os profissionais de creche precisam ter em mente que neste local sempre estarão lidando com questões que envolvem separação, conquistas e progressiva autonomia das crianças. Estas questões giram em torno da inclusão e conseqüentemente da exclusão. Respostas ou receitas para um trabalho inclusivo na creche não existem, não é somente uma graduação em pedagogia que trará subsídio para tal investida. O que precisa ocorrer é um trabalho efetivamente em grupo com cada membro responsável em fazer a sua parte. Esse trabalho em grupo não envolve somente educadores, mas, toda a instituição e principalmente as famílias. Um grupo se constrói através da constância da presença de seus elementos na constância da rotina e de suas atividades. Um grupo se constrói no espaço heterogêneo das diferenças entre cada participante. Um grupo se constrói enfrentando o medo que o diferente, o novo provoca, educando o risco de ousar. Um grupo se constrói na cumplicidade do riso, da raiva, do choro, do medo, do ódio, da felicidade e do prazer. (Grossi, 2001, p. 65). É nessa dinâmica de comprometimento que emergem os caminhos de uma pedagogia inclusiva na creche. Cada instituição possui uma política única de trabalho, para tanto, o caminho pedagógico da inclusão é um trajeto a ser construído por todos, ou seja, pais, educadores, coordenadores, com o intuito de promover uma Educação Infantil de qualidade e para todos, visando o desenvolvimento de uma infância compreendida e valorizada no seu momento, nas suas particularidades. Uma Educação Infantil de qualidade requer acima de tudo experiências significativas para as crianças, pois estas determinam o intercâmbio dela com o mundo, absolutamente necessário para a vida e o viver de qualquer cidadão."

Cláudia Regina Pinto Michelli e Julianne Fischer in http://www.bancodeescola.com/infancia_creche.htm

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

O que é Educação de Infância?

Todos nós temos princípios quer como pessoas quer como profissionais e os educadores não são excepção. Cada educador tem as suas próprias ideologias, os seus próprios métodos, os seus próprios conceitos de Educação de Infância, as suas regras...
Considero, portanto, essencial falar um pouco do que significa para mim a Educação de Infância, assim como de alguns princípios que um educador deve, em geral (e na minha opinião) ter em conta.

“...A educação pré-escolar é a primeira etapa da educação básica ao longo da vida, sendo complementar da acção educativa da família, com a qual deve estabelecer estreita relação, favorecendo a formação e o desenvolvimento equilibrado da criança, tendo em vista a sua plena inserção na sociedade como ser autónomo, livre e solidário...”.[1] Penso que esta afirmação resume muito bem qual deverá ser o papel do educador junto das crianças: a Educação de Infância é a primeira das várias etapas de educação ao longo da vida e, por isso, uma das mais importantes e decisivas para um sucesso a todos os níveis.
Surge como uma continuidade da acção educativa da família e por esta razão, deveremos manter com as famílias uma relação de proximidade, onde se verifique troca de opiniões e de conhecimentos, visando atingir um mesmo objectivo – o bem-estar da criança e o seu desenvolvimento pleno e saudável.

A criança é um ser com direitos que muitas vezes são esquecidos e cabe a nós, educadores, lutar por esses direitos, criar-lhes condições de bem-estar e aprendizagem, num clima baseado no afecto, na segurança… É nosso papel como educadores contribuir para uma maior igualdade de oportunidades, visando uma educação para todas e para cada uma das crianças, num clima de respeito pelos outros, de cooperação e interajuda entre todas. É igualmente importante que a criança se sinta respeitada, a nível das suas ideias, pensamentos, sentimentos, pontos de vista e como ser humano único, autêntico e especial à sua maneira.

É dever do educador lutar, para que a voz da criança seja cada vez mais ouvida e a sua dignidade cada vez mais respeitada. É importante encarar a criança como um ser activo no seu processo de desenvolvimento, aprendizagem e de interacção com o meio envolvente. Deveremos, portanto, partir das suas ideias, saberes e culturas e valorizar as suas características, dando assim origem a um diversificado leque de experiências e saberes partilhados, saudável para o desenvolvimento e crescimento de todos. É, no entanto, essencial contribuir para que a criança se sinta como membro pertencente a um grupo, onde sinta a necessidade de ser respeitada e de respeitar o outro, onde deseje ser ouvida e por isso deva ouvir os outros, onde deseje compreensão e por isso deva procurar compreender os outros. Penso que este tipo de atitude ajuda a criança a crescer num ambiente de solidariedade, de respeito, de liberdade de expressão, de compreensão e interajuda, desejado por todos.
Um bom educador deverá valorizar o brincar da criança. “Através de uma brincadeira, podemos compreender como ela vê e constrói o mundo, o que gostaria de ter e quais as suas preocupações. Pela brincadeira, a criança expressa o que teria dificuldade de colocar em palavras. Nenhuma criança brinca só para passar o tempo, sua escolha é motivada por processos íntimos, desejos, problemas, ansiedades. O que está acontecendo com a mente da criança determina suas actividades lúdicas; brincar é sua linguagem secreta, que devemos respeitar mesmo se não a entendemos"[2]. Brincar é uma actividade diária na vida das crianças. É a forma como elas resolvem a maior parte dos conflitos criados pelas limitações do mundo em que vivem e que é, eminentemente, um mundo dos adultos. Através da brincadeira, a criança expressa a sua forma de representação da realidade.
Apesar do jogo ser uma actividade espontânea nas crianças, isso não significa que o educador não tenha uma atitude activa. “A perspectiva teórica do sócio-interaccionismo destaca o papel do adulto frente ao desenvolvimento infantil, cabendo-lhe proporcionar experiências diversificadas e enriquecedoras, a fim de que as crianças, possam fortalecer sua auto-estima e desenvolver suas capacidades”.[3] O educador pode (e deve) proporcionar oportunidades de aprendizagem às crianças, através do aprofundar das suas brincadeiras. A participação do educador no jogo da criança, aumenta o seu nível de interesse pela actividade, pelo enriquecimento que aquele proporciona. O educador que interage, desperta a atenção e a compreensão, enriquecendo o brincar. Mas é imprescindível que se observe como é que a criança brinca, respeitando a sua iniciativa, as suas preferências, o seu ritmo de acção para que possamos intervir da melhor maneira.
Um educador deverá ser capaz de atender aos interesses e necessidades das crianças, proporcionando-lhes experiências enriquecedoras e significativas, organizando um ambiente de afecto e ao mesmo tempo desafiador, que propicie a exploração da curiosidade infantil, incentivando o desenvolvimento do sentido crítico e da progressiva autonomia da criança.
É muito importante que valorizemos as crianças pelo que são, pensam, sentem e fazem. Se se sentirem valorizadas, sentirem que as suas ideias, comportamentos, atitudes e capacidades têm valor, então aprenderão a ter confiança em si mesmas, a ter segurança naquilo que fazem, a sentir a sua auto-estima estimulada. Caso contrário, uma auto-estima baixa, um ambiente em que a criança não sinta as suas aptidões e ideias valorizadas, constituirão um obstáculo para o seu envolvimento, o seu sucesso no futuro e também para a sua felicidade pessoal e profissional. Quando permitimos à criança ser dona dos seus sentimentos, causamos um grande impacto sobre a sua auto-estima. Desta forma, a criança é capaz de se sentir capaz, útil e participante no seu processo de aprendizagem e só assim se pode sentir plenamente realizada.
Para contribuir para um ambiente educativo que promova o desenvolvimento global, saudável e harmonioso da criança, é essencial observar, planear, avaliar, comunicar e reflectir sobre o processo educativo.
Observar permite-nos conhecer todas e cada uma das crianças, as suas necessidades, os seus interesses e as suas dificuldades. Em Educação de Infância, considera-se observação, a base do planeamento e avaliação do nosso próprio desempenho, para darmos resposta às necessidades de uma criança. A resolução dos problemas, uma boa prática profissional e até mesmo as maiores aprendizagens das crianças passam primeiro por uma boa observação por parte do educador. É essencial que se observe para se entender aquilo que interessa às crianças, para perceber o contexto e para perceber a origem dos problemas que influenciam as aprendizagens. Compete, então, ao Educador de Infância, com vista à construção das aprendizagens, observar cada criança e o grupo, organizar, planificar, concretizar, avaliar/comunicar e promover a continuidade educativa.

“Planear o processo educativo de acordo com o que o educador sabe do grupo e de cada criança, do seu contexto familiar e social é condição para que a educação pré-escolar proporcione um ambiente estimulante de desenvolvimento e promova aprendizagens significativas e diversificadas que contribuam para uma maior igualdade de oportunidades”.[4] Desta forma, o planeamento de todo o conjunto de actividades seleccionadas, deve ter como ponto de partida a criança, uma vez que o conhecimento desta e da sua evolução “constitui o fundamento da diferenciação pedagógica que parte do que esta sabe e é capaz de fazer para alargar os seus interesses e desenvolver as suas potencialidades”.[5] Tudo isto apresenta uma grande importância para o sucesso da educação pré-escolar, na medida em que “partir do que as crianças sabem, da sua cultura e saberes próprios[6] e “respeitar e valorizar as características individuais da criança, a sua diferença, constitui a base de novas aprendizagens”.[7]
O educador deve ter em conta que a “oportunidade de usufruir de experiências educativas diversificadas, num contexto facilitador de interacções sociais alargadas com outras crianças e adultos, permite que cada criança, ao construir o seu desenvolvimento e aprendizagem, vá contribuindo para o desenvolvimento e aprendizagem dos outros”.[8]
Avaliar permite adequar a acção às necessidades e interesses da criança e do grupo. De acordo com as Orientações Curriculares para a Educação Pré-escolar, “a avaliação realizada com as crianças é uma actividade educativa, constituindo também uma base de avaliação para o educador. A sua reflexão, a partir dos efeitos que vai observando, possibilita-lhe estabelecer a progressão das aprendizagens a desenvolver com cada criança. Neste sentido, a avaliação é suporte do planeamento.”[9] A criança terá, então, um papel importante na construção do processo educativo.
Comunicar e trocar opiniões com os pais e a comunidade contribuirá, sem dúvida, para um melhor conhecimento da criança. Fazer a ponte entre o Jardim e o contexto familiar possibilita à criança uma troca de experiências única.
Reflectir permite que tomemos consciência das nossas acções, podendo melhorá-las numa próxima oportunidade, se necessário, numa constante readaptação da acção.
A educação da criança, tendo em vista a sua plena inserção na sociedade como ser autónomo, livre e solidário, passa também pelo desenvolvimento de várias áreas de conteúdo muito importantes para o seu desenvolvimento global: a Área de Desenvolvimento Pessoal e Social, a Área de Expressão e Comunicação e a Área do Conhecimento do Mundo. Da Área de Expressão e Comunicação fazem parte o domínio das expressões, que engloba a expressão dramática, a motora, as expressões plástica e musical, o domínio da linguagem e da escrita e o domínio da matemática. A Área do Conhecimento do Mundo permite fazer a articulação entre as duas outras áreas de conteúdo, sendo que é “através das relações com os outros que se vai construindo a identidade pessoal e se vai tomando posição perante o “mundo” social e físico”[10]. Neste ponto, assume também muita importância, não apenas a interacção com a família, como também a colaboração com a comunidade onde a criança está inserida.



[1] Ministério da Educação. (1997). Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar. Departamento da Educação Básica. Núcleo de Educação Pré-Escolar. Lisboa. p. 15

[2] BETTELHEIM, Bruno (1984). Uma vida para seu filho. São Paulo: Artmed, p. 105

[3] CRAIDY, Carmem Maria; KAERCHER, Gládis Elise P. da Silva (orgs) (2001). Educação Infantil: p’ra que te quero? Porto Alegre: Artmed, p.27

[4] Ministério da Educação. (1997). Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar. Departamento da Educação Básica. Núcleo de Educação Pré-Escolar. Lisboa. p. 26

[5] Idem, p.25

[6] Ibidem.

[7] Ibidem.

[8] Ibidem, p. 19

[9] Ibidem p. 27

[10] Ministério da Educação. (1997). Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar. Departamento da Educação Básica. Núcleo de Educação Pré-Escolar. Lisboa. p. 21

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

As vogais do Natal (Poesia)

Hoje deixo-vos uma poesia de Natal. Retirei de um site mas infelizmente não sei o nome. Se alguém souber dizer o autor, agradeço a informação ;)



AS VOGAIS DO NATAL


AAA
Mais bolos não há
Vamos todos procurar
Com vontade de os encontrar
AAAAA
Quem tem muitos já.

EEE
Não temos café
Vamos todos sem demora
A correr que está na hora
EEEEE
Ver este bebé.

III
Olhem o que eu vi
Venham todos a correr
Pois não há tempo a perder
IIIII
Já estamos aqui

OOO
Tem frio faz dó
Que bonito rosadinho
Rechonchudo pequenino
OOOOO
Dorme faz ó, ó.

UUU
Diz-me quem és tu
É Jesus que traz o Bem
Responde sorrindo a mãe
UUUUU
Mas porque está nu?

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Adivinhas de Natal


Estou sempre verde
De Inverno e de Verão
Brilhantes de luzes
Vocês me acharão

No mês de natal

Quem sou eu afinal?

R: Pinheirinho de Natal

A enfeitar o pinheiro
É onde gosto de estar
Sou muito redondinha
E fácil de pendurar

R: Bola de Natal

Eu sou um bolo colorido
Com muitos frutos saborosos
E um brinde podem encontrar
Aqueles que forem mais gulosos

R: Bolo Rei

Sou um Pai muito feliz
Que traz ao lar muita alegria
Ando sempre lá por fora
Só venho a casa um dia

R: Pai Natal

terça-feira, 20 de novembro de 2007

A Fábrica dos Brinquedos (Conto de Natal)

A fábrica dos brinquedos

Há muito, muito tempo, viveu um homem muito grande e forte mas também muito velhinho. As barbas brancas quase lhe tocavam no peito e o seu cabelo comprido estava em desalinho.
Um dia, Nicolau - assim se chamava ele - sentou-se ao pé da janela a meditar. A certa altura, olhou através da vidraça: lá fora nevava. Era Inverno! Os vários pinheiros do seu jardim estavam cobertos de um manto espesso e branco. Porém, umas pegadas na neve despertaram-lhe a atenção. Um pouco mais adiante, estava um mendigo. Esse pobre homem, que era um sem-abrigo, estava mal agasalhado, descalço e sozinho. Nicolau, que tinha um coração de ouro, abriu a janela e chamou-o:
- Vem cá, homem! Onde é a tua casa?
- Ah! A minha casa?! Eu não tenho casa.
- E a tua família?
- Oh! Esses…nunca os conheci. Vivia com a minha avó, mas ontem ela morreu, não aguentou o frio deste Inverno…
- Meu Deus! Mas, que vida tão triste a tua! E agora?! Com quem vives? Sozinho?
- Sim, agora vivo sozinho.
- Mas… e ... e não tens frio, mal agasalhado e descalço? Bem que precisas de um par de sapatos, de uma camisola e de um casaco! Vou pedir à minha mulher que te faça uma camisola e vou fazer-te eu próprio um par de sapatos! E sabes que mais? Se quiseres podes colaborar comigo!
- Oh! Muito obrigado, senhor. Que devo fazer para colaborar consigo?
- Eu vou explicar tudo: a minha mulher andava a dizer-me que eu precisava de um trabalho para me entreter. Eu fiquei um bocado confuso: como poderia eu arranjar um emprego de um dia para o outro? E então, quando te vi, lembrei-me imediatamente de um bom passatempo para nós os dois! E até fazíamos uma boa acção e tudo! A minha ideia era construirmos uma fábrica de brinquedos onde trabalharíamos todo o ano para obtermos os melhores e mais bonitos presentes para oferecermos aos meninos bem comportados no final do ano. Podíamos também dar um nome à data de entregar as prendas. Hummm, pode ser NATAL, em honra da minha mulher Natália!
- O senhor, isto é, o Nicolau tem ideias fabulosas! Para mim o senhor é um verdadeiro santo!
- Oh! Oh! Oh! Não sou nada! Sou apenas o Pai Natal! É um bom nome para quem inventa o NATAL! No NATAL, todas as prendas devem estar prontas. Treinarei as minhas renas para grandes viagens, prepararei o meu trenó e… já me estou a ver a cruzar os céus!!!!! Só tu poderás estar comigo no trenó, para levares o saco com as prendas!
- Mas, Pai Natal, quando é que vai ser o NATAL?
- Oh! Meu Deus! Não tinha pensado nisso! Mas, até pode ser no dia em que nasceu Jesus! Ele ficaria orgulhoso de nós! Portanto o NATAL é no dia 25 de Dezembro! É verdade, como te chamas meu amigo?
- Chamo-me Cristóvão.
- Muito bem, Cristóvão, vamos já contar tudo à minha mulher!
Natália ficou encantada com a ideia do marido e prontificou-se logo a chamar todos os duendes empregados para ajudarem na construção da fábrica. Estes adoraram a ideia de passar a trabalhar numa fábrica e empenharam-se mais que nunca na sua construção. Em menos de cinco dias a fábrica estava pronta! Naquele ano todos os duendes tiveram de trabalhar em velocidade máxima, pois o NATAL estava à porta! Todos os dias a fábrica de brinquedos do Pai Natal recebia dezenas de cartas de todos os meninos e meninas do mundo, a encomendarem os seus presentes de NATAL. A todas as cartas o Pai Natal respondia dizendo que se portassem bem.
E o prometido é devido: os duendes carregaram as prendas até ao trenó e Cristóvão pô-las no grande saco do Pai Natal.
À meia-noite em ponto, o trenó cruzava o céu puxado pelas renas, carregando o saco dos presentes, o Pai Natal, e, claro, Cristóvão!
Ainda hoje, sempre que é a noite de Natal, podemos ver o grande trenó com o Pai Natal e Cristóvão, se olharmos para o céu à meia-noite em ponto…

Ana Onofre, 11 anos, Cartaxo (Adaptado por Vaz Nunes - Ovar)
http://web.educom.pt/escolovar/natal01.htm

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Natal (clicar para abrir outra janela)

A pedido de uma grande amiga de infância, deixo aqui o primeiro post sobre a época que se avizinha:

O Natal

Natal é um menino
Que sozinho risca o chão
Natal é o Justino
É o Pedro e João

Natal é ah ah ah
é ih ih ih
é oh oh oh
Natal é estar aqui
é estar ali
é não estar só!

Natal é dar um beijo
p'la manhã ao pai e à mãe
Natal é dar amor
a quem o quer e não o tem

Natal é ah ah ah
é ih ih ih
é oh oh oh
Natal é estar aqui
é estar ali
é não estar só!

Natal é lá na escola
Quando todos dão a mão
E abrem a sacola
e repartem o seu pão

Natal é ah ah ah
é ih ih ih
é oh oh oh
Natal é estar aqui
é estar ali
é não estar só!


Dá saudades daquele tempo de estágio com os nossos primeiros meninos... :p


Para ouvir a música podem ver neste site: http://www.cercifaf.org.pt/mosaico.edu/ca/gn_textos.html

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

A Maria Castanha

A MARIA CASTANHA

O céu estava cinzento e quase nunca aparecia o sol, mas enquanto não chovia os meninos iam brincar para o jardim.

Um jardim muito grande e bonito, com uma grade pintada de verde toda em volta, de modo que não havia perigo de os automóveis entrarem e atropelarem os meninos que corriam e brincavam à vontade, de muitas maneiras: uns andavam nos baloiços e nos escorregas, outros deitavam pão aos patos do lago, outros metiam os pés por entre as folhas secas e faziam-nas estalar – crac, crac - debaixo das botas, outros corriam de braços abertos atrás dos pombos, que se levantavam e fugiam, também de asas abertas.
Era bom ir ao jardim. E mesmo sem haver sol, os meninos sentiam os pés quentinhos e ficavam com as bochechas encarnadas de tanto correr e saltar.
Uma vez apareceu no jardim uma menina diferente: não tinha bochechas encarnadas, mas uma carinha redonda, castanha, com dois grandes olhos escuros e brilhantes.

- Como te chamas? – Perguntaram-lhe.

- Maria. Às vezes chamam-me Maria Castanha.

- Que engraçado, Maria Castanha! Queres brincar?

- Quero.

Foram brincar ao jogo da apanhada.

A Maria Castanha corria mais do que todos.

- Quem me apanha? Ninguém me apanha!

- Ninguém apanha a Maria Castanha!

Ela corria tanto. Corria tanto que nem viu o carrinho do vendedor de castanhas que estava à porta do jardim, e foi de encontro a ele.

Pimba!

O saco das castanhas caiu e espalhou-as todas à reboleta pelo chão.
A Maria Castanha caiu também e ficou sentada no meio das castanhas.
- Ah. Minha atrevida! – gritou o vendedor de castanhas todo zangado.
- Foi sem querer – explicaram os outros meninos.
- Eu ajudo a apanhar tudo – disse Maria Castanha, de joelhos a apanhar as castanhas caídas.

E os outros ajudaram também.
Pronto. Ficaram as castanhas apanhadas num instante.
- Onde estão os teus pais? – perguntou o vendedor de castanhas à Maria Castanha.
- Foram à procura de emprego.

- E tu?

- Vinha à procura de amigos.

- Já encontraste: nós somos teus amigos – disseram os meninos.

- Eu também sou – disse o vendedor de castanhas.

E pôs as mãos nos cabelos da Maria Castanha, que eram frisados e fofinhos como a lã dos carneirinhos novos.

Depois, disse:

- Quando os amigos se encontram é costume fazer uma festa. Vamos fazer uma festa de castanhas. Gostam de castanhas?

- Gostamos! Gostamos! – gritaram os meninos.

- Não sei. Nunca comi castanhas, na minha terra não há – disse Maria Castanha.
- Pois vais saber como é bom.

E o vendedor deitou castanhas e sal dentro do assador e pô-lo em cima do lume.
Dali a pouco as castanhas estalavam… Tau! Tau!

- Ai, são tiros? – assustou-se a Maria Castanha, porque vinha de uma terra onde havia guerra.

- Não tenhas medo. São castanhas a estalar com o calor.
Do assador subiu um fumozinho azul-claro a cheirar bem.
E azuis eram agora as castanhas assadas e muito quentes que o vendedor deu à Maria Castanha e aos seus amigos.

- É bom é – ria-se Maria Castanha a trincar as castanhas assadas.

- Se me queres ajudar podes comer castanhas todos os dias. Sabes fazer cartuchos de papel?

A Maria Castanha não sabia mas aprendeu.

É ela quem enrola o papel de jornal para fazer os cartuchinhos onde o vendedor mete as castanhas que vende aos fregueses à porta do jardim.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Ciências: Electricidade

Sabemos que fazer com que as crianças questionem o porquê das coisas que acontecem à sua volta é importante, pois permite que desenvolvam diversas competências, entre elas competências de foro científico. Desta forma, partindo de uma questão problema colocada pelas crianças, poderemos desenvolver inúmeras actividades ligadas às ciências. Um exemplo de actividade poderá estar relacionada com a electricidade.
Apresento, então, uma breve planificação de uma actividade relacionada com o tema da electricidade:


Materiais necessários:
  • Lâmpada de lanterna;
  • Três pedaços de fio de cobre;
  • Um copo de vela com altura (ou garrafa de água de meio litro);
  • Algodão;
  • Duas pilhas grandes;
  • Fita-cola colorida;
  • Um atache
  • Materiais condutores e não condutores de energia eléctrica


Primeira Experiência: Como podemos fazer um circuito de luz?

  • Com os materiais necessários para fazer um circuito de luz em cima de uma mesa, propõe-se às crianças que tentem fazer sozinhas uma ligação eléctrica com uma pilha, dois fios de cobre e uma lâmpada.
  • À medida que tentam fazê-lo, questionam-se as crianças acerca do porquê das hipóteses que vão dando.
  • Assim que chegarem à resposta, propõe-se fazer uma lanterna.

Segunda Experiência: Elaboração de uma lanterna

  • Primeiramente, fazem-se dois buracos pequenos num dos lados do copo.
  • De seguida, forra-se com o alumínio, a parte de cima de uma garrafa virada ao contrário.
  • Juntam-se as duas pilhas, com fita adesiva, de modo a ficarem bem presas.
  • A lâmpada deve encontrar-se já com fio de cobre nas extremidades.
  • Depois de estarem bem presas, coloca-se o fio de cobre nas extremidades das pilhas, prendendo também com fita adesiva.
  • De referir que numa das extremidades da pilha, encontra-se um fio de cobre da lâmpada e na outra, um fio de cobre solto.
  • Enche-se o copo com algodão e de seguida coloca-se o fio de cobre solto num dos furos feitos no copo e o outro no furo de cima.
  • Em cada furo coloca-se um atache, no qual o fio de cobre estará preso.
  • Coloca-se a lâmpada no suporte forrado com alumínio.
  • Com um clip ou um atache fecha-se o circuito com os dois ataches colocados nos furos, fazendo com que a lâmpada se acenda.
  • Depois de se fazer a lanterna, as crianças poderão ver que materiais do seu quotidiano são ou não condutores de electricidade.

Depois desta experiência, pode-se conversar com as crianças acerca de assuntos relacionados com o tema, como por exemplo formas de poupar energia, levando a novos temas e novas experiências, mantendo o interesse dos meninos.

Boas Experiências! E não hesitem em partilhar as vossas ideias!



terça-feira, 6 de novembro de 2007

Competências e objectivos: que diferença?

“O saber que importa nesta perspectiva das competências é o que poderá ser útil ao seu possuidor na resolução de problemas, na relação com os outros, na sua relação com o conhecimento, na sua acção diária. Um saber a que o seu possuidor é capaz de atribuir sentido, tornando-o utilizável”.
(Ofélia Libório in Encontro Internacional Qualidade em Educação de Infância: currículo e aprendizagens (2006)

Competência constitui a meta a alcançar pelo currículo escolar”.
(Roldão, 2003, p. 16)

Para muitos educadores, a noção de competência confunde-se com a noção de objectivos a alcançar. Desta forma, é importante perceber a noção e a relação que existe entre esses dois conceitos.
Roldão (2003, pp. 20-21) define objectivo como aquilo que se pretende que um aluno aprenda, numa dada situação de ensino e aprendizagem, e face a um determinado conteúdo ou conhecimento”, e define competência como o saber que se traduz na capacidade efectiva de utilização e manejo – intelectual, verbal ou prático – e não a conteúdos acumulados com os quais não sabemos nem agir no concreto, nem fazer qualquer operação mental ou resolver qualquer situação, nem pensar com eles”.
Quando estamos perante a formulação de objectivos de aprendizagem, devemos ter em conta a sua finalidade, ou seja, devemos ter em conta qual a competência que pretendemos alcançar a partir do objectivo que construímos.
É a partir das aprendizagens que a criança tem consolidadas que ela vai alcançar as competências que se pretendem pois a competência implica a capacidade de ajustar os saberes a cada situação e por isso eles devem estar consolidados, integrados e portadores de mobilidade. (Roldão, 2003, p. 24).
Desta feita, e segundo outros autores, tal como Perrenoud (s.d), a competência está relacionada com o processo de mobilizar ou activar recursos – conhecimentos, capacidades, estratégias – em diversas situações. As competências pressupõem conhecimentos, mas não se confundem com a aquisição de conhecimentos sem que hajam aprendizagens e experiências quanto à sua utilização.
Dolz e Ollagnier (2004), definem competência como a capacidade de criar um comportamento num determinado domínio. Com a noção de competências, definem-se os saberes experienciais necessários, que permitem que as crianças resolvam problemas que vão surgindo.
Para desenvolver competências, é necessário colocar a criança em situações complexas, que exigem e treinam a mobilização dos seus conhecimentos: um problema para resolver, uma escolha para fazer…Assim sendo, a noção de competências remete para situações, nas quais é necessário tomar decisões e resolver problemas.
Desta forma, e como refere Roldão (2003), existe competência/s quando, perante um determinado problema, se é capaz de mobilizar adequadamente diversos conhecimentos que se possui, seleccioná-los e integrá-los, de forma adequada, face àquele problema, isto é, a pedagogia pelas competências define as acções que o aluno, e neste caso as crianças, deve ser capaz de realizar após a sua aprendizagem.
Quando nos debruçamos sobre o documento Currículo Nacional do Ensino Básico – Competências Essenciais (p.9), podemos verificar que a noção de competências é ampla uma vez que integra conhecimentos, capacidades e atitudes e que pode ser entendida como saber em acção ou em uso. Trata-se, portanto, de promover o desenvolvimento integrado de capacidades e atitudes que viabilizam a utilização de conhecimentos em situações diversas, mais familiares ou menos familiares ao aluno”.
Desta feita, depois de analisarmos a noção de objectivos e de competências, podemos concluir que (e segundo Roldão (2003, p. 22) a competência é o objectivo último dos vários objectivos que para ela contribuem”, ou seja, a competência é o objectivo que pretendemos alcançar a partir de todos os outros objectivos de aprendizagem.


Bibliografia:

DOLZ, Joaquim; OLLAGNIER Edmée; et al (2004). O Enigma da Competência em Educação, Porto Alegre, Editora Artmed

LIBÓRIO, Ofélia (2006). Encontro Internacional Qualidade em Educação de Infância: currículo e aprendizagens. Disponível em: www.fbb.pt/qei/images/stories/qei_-_o_ponto_de_vista_das_criancas.pdf

PERRENOUD, Philippe (s.d) Porquê Construir competências a partir da escola? Desenvolvimento da autonomia e luta contra as desigualdades. Cadernos do CRIAP, Porto: ASA editores, nº 28.

ROLDÃO, Maria do Céu (2003). Gestão do Currículo e avaliação de Competências: As questões dos professores. Editorial Presença, Lisboa.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

A qualidade no contexto de Jardim de Infância

Sabemos que é de grande importância ter em conta a qualidade dos contextos educativos onde desenvolvemos as nossas práticas, uma vez que tal contribui para o bem-estar pleno das crianças, assim como os níveis de implicação. Desta forma, é importante percebermos o conceito de qualidade.
Segundo alguns autores (Dahlberg, Moss e Pence, 1999), para a maioria das pessoas, falar de qualidade é falar de uma espécie de desafio, de um objectivo a alcançar, muito mais do que de um problema.
Não existe apenas uma definição de qualidade, mas seja qual for a opinião que temos acerca de qualidade, não poderemos negar, segundo os mesmos autores, que ela exerce um papel dominante na nossa prática, linguagem e pensamento.
Um grande número de autores que trabalha acerca do conceito qualidade, descrevem-no como sendo algo “subjectivo, baseado em valores, relativo e dinâmico, sobre o qual é possível ter múltiplas perspectivas ou interpretações.” (Dahlberg, Moss e Pence, 1999, p.19 (traduzido por mim). Esses mesmos autores defendem que o trabalho que é realizado em torno da qualidade deve ser contextualizado, tanto a nivel de espaço como a nível de tempo. Além do mais, deve-se também ter em conta a diversidade, nomeadamente a cultural.
Desta forma, quando falamos de qualidade, deveremos ter em conta que o conceito varia dependendo da perspectiva que cada um tem do termo (que está subjacente aos valores de uma sociedade), e que varia consoante o contexto, uma vez que os contextos de infância também variam.
Ao longo das investigações que foram feitas ao longo dos anos, desenvolveram-se diversos recursos, que foram sendo utilizados pelos investigadores como um meio de avaliação da qualidade dos contextos.
Desta feita, como método de análise da qualidade em contextos de infância, surge-nos a ECERS (Early Childhood Environment Rating Scale), que, tal como é descrita pelos seus autores (Harms e Clifford, in Dahlberg, Moss e Pence, 1999; p.159 (traduzido por mim), “é um meio relativamente breve e eficiente para se ter uma noção da qualidade dos contextos educativos” (Harms e Clifford, 198, p.iv)”.
A ECERS
é uma escala de observação, constituída por 43 itens que se encontram divididos em sete sub-escalas, e que através das pontuações que são obtidas a partir das escalas, pretende oferecer uma perspectiva geral da qualidade em Educação de Infância.
Ao contrário do que se possa pensar, e depois de ter lido alguma bibliografia sobre o assunto, posso dizer que a ECERS não é a lei em investigação da qualidade dos contextos, uma vez que não se refere a um contexto em particular, mas sim a diversos contextos, sendo um instrumento universal. Sendo o conceito de qualidade, tal como foi dito anteriormente, um conceito que deve ter em conta a diversidade dos contextos, a diversidade de culturas, entre outros aspectos, a ECERS não se encontra nesse conceito, uma vez que diz respeito a um conceito de “qualidade universal”, isto é, não tem explícitos os valores de uma determinada sociedade, não tem em conta a diversidade de culturas, a diversidade de espaços.
No entanto, e apesar de todos os pressupostos anteriores relativamente à ECERS, poderemos observar os contextos no que diz respeito à qualidade a partir de alguns aspectos deste documento, que achamos mais relevantes para o contexto em si.
Apesar de nos guiarmos por este documento, há que ter consciência de que a qualidade do ambiente educativo depende, como já foi dito, do contexto e de muitos factores como a nossa própria perspectiva de qualidade num Jardim de Infância.
Desta forma, os itens que se encontram explícitos neste documento poderão servir apenas de base para a nossa análise do contexto, uma vez que a avaliação da qualidade não se baseia, na minha modesta opinião, apenas nesses itens, mas também na forma como as crianças interagem no contexto, a forma como o contexto afecta as crianças (bem-estar e implicação das crianças), uma vez que os métodos como a ECERS pretendem descobrir apenas as “verdades inatas, objectivas, universais e generalizadas” (Dahlberg, Moss e Pence, 1999, p. 162) das instituições, e tratam “as crianças e instituições como “objectos independentes (Henrique e outros, 1984, pp. 101-102)” (idem).
Não deveremos ter, portanto, a intenção de avaliar o contexto como uma escala, mas sim referir os pontos fortes e fracos que achamos relevantes no contexto em que nos encontramos, e também referir aspectos que achamos relevantes para avaliar a qualidade do contexto em que nos encontramos (a forma como o contexto afecta as crianças – Bem-estar e Implicação; a forma como as crianças interagem entre si, o estilo do educador, entre outros), tentando não colocar a instituição e as crianças como “objectos independentes”.

Bibliografia:
GUNILLA Dahlberg; MOSS Peter; PENCE Alan (2005). Más allá de la calidad en la educación infantil. Colección Biblioteca Infantil, Editorial Graó, Barcelona



Nota: Este texto apenas diz respeito à minha visão acerca da qualidade, partindo de leituras que fiz ao longo do meu estágio curricular. Respeito todos aqueles que discordam e convido-os a partilhar a sua opinião.

domingo, 4 de novembro de 2007

História musical: “A água e o mar”

Hoje deixo um guião para realizar uma peça de teatro com as crianças. É uma forma de abordar o tema dos rios, lagos, do mar com os mais pequeninos.
Para a preparação desta peça, as crianças poderão elaborar as vestes das suas personagens. Procede-se a um pequeno ensaio e pode apresentar-se a peça a todo o Jardim ou à comunidade. Tenho a certeza que irão adorar fazer parte deste cenário de magia. Apenas há um inconveniente. Não sei de onde foi retirado este guião e também não sei quais são as melodias das músicas. Mas, como educadoras/es que somos, podemos recorrer à nossa imaginação e, junto das nossas crianças, criar uma melodia para as canções. Espero que seja do agrado de todos.


"A Água e o Mar"

1 – Diálogo

A água que bebemos vem das nuvens.
- Olá gotinhas de água!
E quando começa a chover rega as plantas, enche o poço de água fresca para beber.
- Olhem, está a chover! As gotinhas de água estão a chegar! Vão cair na ribeira, a ribeira enche o rio e o rio vai para o mar. Vamos conhecer as gotinhas de água. Vamos com elas aprender que todos precisamos de água, mas que nem toda a água, se pode beber.

2 – Música

A água vem das nuvens, é de lá que a água vem.
A água vem das nuvens, já todos sabemos bem.
As gotinhas de água (as gotinhas de água),
São mesmo engraçadas (são mesmo engraçadas),
Caem das nuvens e deixam,
A terra e as flores molhadas.

3 – Diálogo

As gotinhas de água que vieram das nuvens juntaram-se numa pequena ribeira. E eram tantas gotinhas de água, que a ribeirinha ficou cheia! Cheia de água doce, água boa para beber.
- Vamos para o rio! – gritaram as gotinhas de água.
E a ribeirinha começou a correr. Enquanto desciam até ao rio, encontraram muitas amigas gotinhas de água de outras ribeiras e juntaram-se a elas divertidas.
Então, todas juntas, e num grande rodopio, a ribeira ficou maior… e lá foram até ao rio.

4 – Música

Cheia de gotinhas de água,
Água doce e limpinha,
Agora ficou maior.
Onde vai a ribeirinha
Cheia de gotinhas de água,
Água doce e limpinha?
Vai muito divertida,
Vai num grande rodopio.
Onde vai a ribeirinha?
Ela vai juntar-se ao rio.
Vai muito divertida,
Vai num grande rodopio.

5 – Diálogo

E quando a pequena ribeirinha, com as gotinhas de água, desceu o monte e viu o rio, ficou mesmo contente! O rio estava diferente, já não estava tão vazio. E o rio, muito feliz ao ver a ribeirinha a chegar, chama as gotinhas de água e diz:
- Venham, juntem-se a mim, ainda temos muito que andar. Vamos levar água às torneiras e aos campos por regar. Venham, juntem-se a mim, vai ser uma grande viagem, até chegarmos ao mar.

6 – Música

Sabem de onde vem, a água boa para beber,
Vem do rio, vem do rio,
vem do rio feliz que vai ali a correr.
E quem rega os campos, (2x)
Só quem souber é que diz.
Já todos sabemos (2x)
É o rio feliz.

7 – Diálogo

Mas o rio, às vezes, deixa pequenos lagos de água parada. Atenção, não se bebe essa água. É só para os bichinhos, mais nada. Para as rãs e tartarugas, o pequeno lago é uma casa e até a borboleta às vezes por lá passa. As gotinhas de água também gostam de lá estar, sem elas, não havia lago. E onde é que a rã ia morar?
Este lago é muito bonito, mas tem água parada e esta água não se pode beber.

8 – Diálogo

Por vezes o rio, quando vai para o mar, encontra sítios altos por onde tem que saltar e as gotinhas muito contentes, põem-se logo aos saltos. Saltam nos sítios mais altos, nada as pode parar. E o rio forma uma cascata cor de prata e faz um arco-íris no ar.
Lá vai o rio a saltar! Lá vai o rio a descer! Sobre as pedras e sobre as rochas, sempre atento a ver, sempre a tentar encontrar um caminho que o leve até ao mar.

9 – Diálogo

Finalmente, depois de muito andar, as gotinhas de água pequeninas, que desceram das nuvens e encheram o rio e as ribeirinhas, estavam mesmo a chegar.
Durante o caminho, o rio feliz deu-nos água boa para beber e fez os lagos de água parada, onde muitos bichinhos irão viver. Pulou rochas, saltou pedras, fez arco-íris e cascatas, deixou os campos verdinhos, regou as flores e as matas.
Nunca se deve sujar o rio. Ele só quer é passar e fazer a sua viagem, das nuvens até ao mar.

10 – Sons:

- Som de uma gota;
- Som da chuva;
- Som de mexer na água;
- Som do mar.

11 – Diálogo

Vamos todos passear até ao fundo do mar. Que viagem tão divertida… Que iremos nós encontrar?
O mar é diferente dos rios e dos lagos e vivem no mar, muitos animais engraçados.
O mar é muito grande, e tem água salgada e é lá que os peixinhos coloridos têm a sua casa. Sempre contentes, sempre a nadar, entre as cores, do fundo do mar.

12 – Música

Entre as cores do fundo do mar,
glu, glu, glu, glu, glu, glu, glu, glu, glu.
Aqui vamos nós todos passear,
glu, glu, glu, glu, glu, glu, glu, glu, glu.
Vamos aprender a cantar e a brincar,
Lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá.
Quem são os amigos (2x)
Que vivem no mar.


13 – Diálogo

- Olhem quem ali vai?
- Sou eu, o camarão encarnado, estou sempre muito animado. E vou agora visitar, a minha amiga, estrela-do-mar. Olha, lá está ela.
- Eu sou a estrela-do-mar e gosto de ficar quietinha, deitada na areia fofinha a ver os peixinhos passar. Mas quando aparece o camarão é logo uma grande confusão.
- Olha, estão ali mais amigos…

14 – Diálogo

- Olá, eu sou o cavalo-marinho e estou a ensinar o meu filhote, que ainda é pequenino, a cavalgar pelo mar.
- E eu sou um cavalinho marinho, ainda estou a aprender e um dia vou conhecer, todas as ondas do mar. Mas ainda tenho que crescer até ser grande e forte, e poder nadar sozinho, sem a ajuda do meu papá, o amigo cavalo-marinho.

15 – Diálogo

Mas quem é muito brincalhão e está sempre a saltar entre as ondas do mar é o golfinho azul, que é muito traquina e vive nos mares do sul, onde a água é mais quentinha.
-Mas que grande salto! Nós, os peixinhos coloridos, gostamos muito do golfinho azul e de o ver a brincar. E batemos sempre palmas, quando ela passa a saltar, entre as ondas do mar.

16 – Diálogo

Agora, já sabemos que o mar é feito de água salgada e toda a bicharada, que vive debaixo da água ou junto ao mar, gosta muito de nadar e saltar. Uns gostam mais de água quentinha, outros gostam mais de água fria. Mas todos são muito engraçados e nadam por todo o lado, entre as ondas do mar que é amigo de todos e tem que ser sempre bem tratado.

17 – Música

O mar pode bem ser, quentinho ou gelado.
É sempre nosso amigo, tem que ser bem tratado.
Para estes amigos, o mar é uma casa
Com muitas ondas e muita água salgada.

18 – Sons:

- Som do mar (ondas);
- Som do fundo do mar;
- Som das focas;
- Som das gaivotas

Autor desconhecido


Boas dramatizações!


Cláudia

sábado, 3 de novembro de 2007

Biscoitos de Limão


Esta receita fi-la algumas vezes com os meninos ao longo do meu estágio. É muito boa e eles adoraram. Experimentem!

Ingredientes:

  • 4 chávenas de farinha;
  • 1 colher (chá) de fermento;
  • 1 chávena de manteiga;
  • 1 chávena de açúcar;
  • 2 ovos batidos
  • 2 limões (raspa)

Modo de Confecção:

Misture bem a farinha com a manteiga. Adicione o açúcar e a casca de limão bem raspada. Depois de adicionados os ingredientes anteriores, junte os ovos bem batidos. Quando tudo estiver misturado, amasse muito bem com as mãos e dê a forma k desejar aos biscoitos, utilizando forminhas ou até mesmo as próprias mãos. Vai ao forno a cerca de 180 graus durante mais ou menos 10 minutos, dependendo do forno. Deixe arrefecer e delicie-se com um chazinho a acompanhar.

Após a confecção dos biscoitos, poder-se-á fazer um registo conjunto, onde as crianças colocam o desenho de cada um dos ingredientes (juntamente com a quantidade de cada um) utilizados na confecção dos biscoitos. Também se pode criar um livro de receitas que as crianças poderão levar de casa e confeccionar com elas essas mesmas receitas. As crianças sentem-se desta forma mais úteis e mais valorizadas.

Cláudia

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Apresentação


Hoje decidi falar um pouco de mim, pois ainda não me apresentei.
Chamo-me Cláudia, tenho 22 anos e sou Educadora de Infância. A minha licenciatura foi feita na Universidade de Aveiro, um local onde fiz grandes amizades que ficarão para toda a vida.
Decidi ser Educadora de Infância porque adoro crianças. Sempre quis sê-lo. Além de adorar crianças, sei que nem todas as crianças têm as mesmas oportunidades de aprendizagem, nem sempre são vistas da melhor forma pelos adultos. O meu maior objectivo é contribuir para uma melhoria da qualidade na Educação de Infância. Tentar transformar a visão das pessoas acerca daquilo que é a Educação de Infância. Pretendo evoluir como educadora, aprender mais e mais de forma a poder proporcionar às crianças as melhores aprendizagens, as melhores vivências, a melhor infância que podem ter.
Neste momento encontro-me desempregada, pelo que aproveito algum do meu tempo para pesquisar acerca desse mundo maravilhoso que é a infância.
Apesar de o mercado de trabalho estar muito complicado, não perco as esperanças de vir a exercer a profissão para a qual sempre quis trabalhar. Tenho uma grande vontade de trabalhar, aprender, partilhar, rir, chorar, brincar, cantar, jogar com as crianças. Neste momento resta-me esperar e não desistir de lutar por um sonho que é o de muitas de nós.
O grande objectivo deste blog é partilhar tudo o que tenho sobre a infância, desde jogos e brincadeiras, receitas de culinária, histórias a textos informativos, canções, ideias de expressão plástica entre outras coisas.
Desta forma, despeço-me por hoje, esperando que as ideias possam ser partilhadas entre todos e que opinem acerca do conteúdo de cada post.

Beijinhos

Cláudia

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Dinâmicas de grupo

Jogo "O João Bobo"

Este jogo propõe um "quebra gelo" entre os participantes e também pode ser observado o nível de confiança que os participantes têm um no outro.

Formam-se pequenos grupos de 8-10 crianças. Todas devem estar bem próximas, ombro-a-ombro, num círculo. Escolhem uma criançapara ir ao centro. Esta criança deve fechar os olhos (também pode ser utilizada uma venda), ficar com o corpo totalmente rígido, como se estivesse hipnotizada. As mãos ao longo do corpo tocando as coxas lateralmente, pés pra frente, tronco recto. Todo o corpo deve fazer uma linha recta com a cabeça.
Ao sinal combinado, a criança do centro deve soltar o seu corpo completamente, de maneira a que confie nos outros participantes. Estes, porém, devem com as palmas das mãos empurrar o "joão bobo" de volta para o centro. Como o corpo vai estar recto e tenso, a criança perderá o equilíbrio e penderá para um lado. O movimento é repetido por alguns segundos e todos devem participar no centro.

Jogo do Nome

Este jogo propõe um "quebra gelo" entre as crianças. Pode ser proposto no primeiro dia em que o grupo se encontra. É óptimo para decorar os nomes de cada um.
Em círculo, sentados ou de pé, as crianças vão uma a uma ao centro da roda (pode também ser no próprio lugar) e dizem o seu nome completo juntamente com um gesto qualquer . Em seguida todos devem dizer o nome da pessoa e repetir o gesto feito por ela.
Variação:Este jogo pode ser feito apenas com o primeiro nome e o gesto da criança, sendo que todas o devem repetir em somatória, ou seja, a primeira diz o seu nome com o seu gesto e a segunda diz o nome da anterior e o gesto dela e o seu nome e o seu gesto... e assim sucessivamente. Geralmente é feito com grupos pequenos, para facilitar a memorização. Mas poderá ser estipulado um número máximo, por exemplo, após a quarta criança, deve começar um outro ciclo de 1-4 crianças.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

"TUDO AQUILO QUE EU PRECISO REALMENTE SABER APRENDI NO JARDIM DE INFÂNCIA"


"TUDO AQUILO QUE EU PRECISO REALMENTE SABER APRENDI NO JARDIM DE INFÂNCIA"

Grande parte daquilo que eu realmente preciso saber, sobre a vida, o que fazer, como ser, eu aprendi no Jardim de Infância…Não foi na Universidade(...) que eu encontrei a verdadeira sabedoria, mas sim no recreio do Jardim de Infância. Foi exactamente isto que aprendi:partilhar tudo, brincar dentro das regras, colocar as coisas no lugar onde as encontrei, limpar o que sujei, não pegar naquilo que não era meu, pedir desculpas quando magoava alguém, lavar as mãos antes de comer… Descobri também, que café com leite é delicioso, que uma vida equilibrada é saudável, que pensar um pouco, desenhar, pintar, dançar, planear e trabalhar um pouco todos os dias, nos faz muito bem… Fazer uma sesta todas as tardes, ter muito cuidado com o trânsito, segurar as mãos de alguém e ficar juntos, são boas formas de enfrentar o mundo… Ter em atenção a todas as maravilhas do mundo e relembrar a pequena semente que um dia plantámos num copo de plástico: as raízes iam para baixo e as folhas iam para cima, mas ninguém realmente sabia o porquê… Mas nós somos assim! … Peixinhos dourados, hamsters e ratinhos brancos; e até mesmo a pequena semente do copo de plástico, tudo morre um dia… E nós também. Tudo o que tu realmente precisas saber, está aí: faz aos outros aquilo que gostarias que eles te fizessem a ti… Amor, higiene básica, ecologia, contribuem para uma vida mais saudável. Acho que tudo seria melhor, se todos nós, o mundo inteiro, tomássemos café com leite todas as tardes e descansássemos um pouquinho, agarrados a uma almofada. Ou se tivéssemos uma política no nosso país e em todas as coisas também, para colocarmos sempre as coisas, no lugar onde as encontrámos… E ainda, é verdade que, seja qual for a idade, o melhor é darmos as mãos e ficarmos unidos! …

Robert Fulghum