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quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

A Carochinha e o João Ratão


Reza a história, bem velhinha, que havia uma Carochinha, que por ser engraçadinha, teimou que haveria de casar.

Certo dia, quando estava a varrer a cozinha, encontrou uma moeda de cinco réis e correu para ir dizer à vizinha que já não tinha de esperar.

Vaidosa como era, escolheu o seu melhor vestido e foi pôr-se à janela para ver se arranjava marido.

Pensou como deveria começar e decidiu cantar:

- Quem quer casar com a Carochinha, que é formosa e bonitinha?

- Muu…, Muu…Quero eu, quero eu! – Mugiu o Boi mostrando-se muito interessado – Se casares comigo, vais andar o dia inteiro no prado…

- Que voz é essa? Com essa voz, acordavas-me a mim e aos meninos de noite! Contigo é que não quero casar! E, além disso, tenho pressa…

Como era o primeiro pretendente, não ficou desanimada e continuou a perguntar, desta vez com uma voz mais alegre e um aperto no coração.

- Quem quer casar com a Carochinha que é formosa e bonitinha?
Mal tinha acabado de dizer a última palavra, apareceu o Cão que ladrava e gania de animação.

- Ão, ão! Quero eu, quero eu! Se casares comigo, tens uma casota toda janota e comida saborosa que me dá a D. Rosa.

- Ai pobre de mim! Que alarido! – Queixou-se dando um suspiro – Com essa voz, acordavas-me a mim e aos meninos de noite! Não, não me serves para marido.

Ficou a ver o Cão a afastar-se com as orelhas baixas e o rabo entre as pernas, e voltou a tentar a sua sorte.

- Quem quer casar com a Carochinha que é formosa e bonitinha?

Muito gorducho e envergonhado, aproximou-se o Porco com um rabo que mais parecia um saca-rolhas e o focinho molhado.

- Oinc! Oinc! Quero eu, quero eu! Sou muito comilão, mas também dizem que sou bonacheirão.

- És muito simpático e pareces ser divertido. Mas com essa voz, acordavas-me a mim e aos meninos de noite! Também não me caso contigo.

Depois, encheu o peito de ar, sorriu e voltou a perguntar:

- Quem quer casar com a Carochinha que é formosa e bonitinha?

Com peito inchado, penas coloridas e luzidias, candidatou-se o Galo que resolveu cantar para impressionar.

- Cocorocó! Cocorococó! Quero eu, quero eu! Se casares comigo, vais madrugar.

- Galo garnisé, com tanto banzé acordavas-me a mim e aos meninos de noite! E, sem dormir, íamos passar o tempo a refilar.

A nossa amiga queria mesmo casar, por isso tinha de continuar.

- Quem quer casar com a Carochinha que é formosa e bonitinha?

Com um miar meigo e a cauda bem levantada, aproximou-se o Gato janota a ronronar.

- Miau, renhaunhau. Quero eu, quero eu! Se gostas de leite, peixe fresquinho e de apanhar banhos de sol nos telhados, então podemos casar. - Banhos de sol talvez… Mas leite? Peixe fresquinho? E, com essa voz, acordavas-me a mim e aos meninos de noite! Não, não é contigo que vou subir ao altar.

Seria possível? Seria assim tão difícil encontrar alguém que não fosse barulhento? Mas foi então que reparou em alguém que se aproximava a passo lento.

- Oin, in, oin. Quero eu, quero eu! – zurrou o Burro – Olha, se casares comigo, não vais dormir ao relento.

- Mas com essa voz, acordavas-me a mim e aos meninos de noite! A minha vida ia ser um verdadeiro tormento!

Como já era tarde, a Carochinha pensou que seria melhor ir tratar do jantar, mas foi então que ouviu chiar…

- Hi, hi! E a mim, não vais perguntar se quero casar?

Com um sorriso de felicidade por encontrar alguém tão simpático e com uma voz tão fininha, a Carochinha correu para o pátio.

- Como te chamas?

- Sou o João Ratão. Queres casar comigo ou não?

A Carochinha convidou-o a entrar, pois tinham muito que conversar e uma data de casamento para marcar. Enviaram os convites, compraram a roupa e prepararam a boda a rigor com o senhor prior.

Domingo era o grande dia! A noiva foi a última a entrar na igreja e estava linda, de causar inveja. O João Ratão estava orgulhoso mas também muito nervoso. Trocaram juras de amor eterno e, no fim, choveu porque era Inverno. Foi então que o João Ratão se lembrou da viagem ao Japão. Correu para casa, porque se tinha esquecido das luvas, mas sentiu um cheirinho gostoso e, acabou por ir espreitar o caldeirão.

Pouco depois, a Carochinha achou melhor ir procurar o marido que estava a demorar.

- João Ratão, encontraste as luvas? – Chamou ela ao entrar.

Procurou, procurou e quando chegou perto do caldeirão, quase desmaiou e gritou:

- Ai o meu marido, o meu rico João Ratão, cozido e assado no caldeirão!

E assim acaba a história da linda Carochinha, que ficou sem o João Ratão, pois era guloso e caiu no caldeirão.

Contos tradicionais portugueses

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